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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 508

Ele vestia um terno cinza-escuro e segurava a chave do carro. Ao vê-la descer, disse com indiferença:

— Vamos.

Daniela apareceu na porta da cozinha, intrigada.

— Tão cedo? Aonde vocês dois vão?

Amália também estava confusa, já que Rodrigo preparara aquilo tudo de manhã cedo sem avisá-la previamente.

Para onde Rodrigo a levaria?

Diante dos olhares questionadores das duas, Rodrigo manteve a expressão impassível e respondeu a Daniela:

— A Amália não tem reclamado de dor de estômago nos últimos dias? Vou levá-la ao hospital para ver isso.

Daniela franziu a testa, sem suspeitar de nada.

— Dor de estômago? Por que não disse antes?

Ela secou as mãos e aproximou-se, olhando para Amália com preocupação.

— Quer que a mamãe vá junto?

Amália percebeu então qual era o plano de Rodrigo.

Vendo que Daniela já se preparava para acompanhá-los, ela balançou a cabeça rapidamente, recusando.

— Não precisa, mãe. O Rodrigo vai comigo, está tudo bem...

Daniela ainda queria insistir, mas Rodrigo já abrira a porta, sinalizando para Amália o seguir depressa.

— Mãe, não se preocupe, é só um exame de rotina.

Ele olhou para trás, lançando um olhar rápido a Amália.

— Vamos.

Desde que engravidara, Amália agia como uma ladra, aterrorizada com a possibilidade de ser descoberta.

Até o teste de gravidez tinha sido comprado disfarçadamente. Aquela seria, na verdade, a primeira vez que ela ia a um hospital para um exame pré-natal.

Embora soubesse que a tecnologia dos testes de farmácia raramente falhava, o coração de Amália estava inevitavelmente tenso no caminho para o hospital.

Ao chegarem, como Rodrigo tinha conhecidos no local, eles usaram a entrada VIP, dispensando a necessidade de passar pela recepção comum.

Amália usava máscara e um boné, seguindo atrás de Rodrigo com o coração batendo como um tambor.

Rodrigo não olhou para trás, mas sua voz soou calma, demonstrando irritação com o excesso de cautela e nervosismo dela.

Ao entrar, Amália viu uma mulher de cerca de quarenta anos sentada atrás da mesa do computador.

Devia ser a médica responsável pelo atendimento.

A médica tinha o cabelo curto preso atrás da orelha, óculos de aro dourado e vestia um jaleco branco impecável, com um crachá no peito onde se lia "Ginecologista e Obstetra – Dra. Hortensia Rabelo".

— Deite-se, por favor.

A Dra. Rabelo apontou para a maca de exames com a naturalidade de quem faz isso todos os dias, a voz calma.

Amália respirou fundo e deitou-se lentamente.

O lençol hospitalar frio tocou suas costas, fazendo-a tensionar o corpo involuntariamente.

A Dra. Rabelo calçou as luvas descartáveis, o som leve da borracha ecoando claramente no consultório silencioso.

Ela ajustou o ângulo da maca, com movimentos experientes e suaves.

— Relaxe.

Ela olhou para Amália e pousou a mão levemente sobre o abdômen dela.

— Ficar muito tensa vai atrapalhar o exame.

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