Pelo menos, com a força que ela tinha agora, ir para lá seria suicídio.
Aeliana apertou os dedos, o calor em seu peito esfriando aos poucos.
— Então por que me contou tudo isso?
Se Wallace realmente pensava na segurança dela.
Não seria melhor esconder isso para sempre?
Por que teve que contar justamente antes de ele estar prestes a morrer?
Deixando Aeliana agora numa situação difícil, sem saber se ia ou se ficava.
Era muito desconfortável.
Aeliana raramente se sentia assim.
Mas desde que chegou a Nova Aurora, ela frequentemente ficava irritada com esse jeito imprevisível de Wallace.
Wallace pousou a xícara, a voz grave.
— Porque você é aprendiz da Flávia, e foi isso que ela me pediu para te dizer antes de morrer.
— Não foi ideia minha.
— Quanto ao que eu disse agora, foi apenas um conselho meu para você; ir ou não ir, depende de você.
Wallace girou a cadeira de rodas, ficando de costas para ela.
— Hoje continuaremos treinando a última forma da "Técnica do Fio de Seda". Décio!
Ele elevou a voz chamando,
— Venha treinar com a Dra. Oliveira!
Décio veio correndo do canto do quintal, coçando a cabeça, confuso ao ver que os dois não tinham ido comer tão cedo.
— Sr. Wallace, começar agora?
Não era cedo demais?
Será que a Dra. Oliveira e o Sr. Wallace não dormiam?
Wallace soltou um "hum".
— Daqui a alguns dias ela vai embora, temos que nos apressar.
Aeliana ficou parada no lugar, olhando para as costas de Wallace, os dedos levemente gelados.
Ainda pensava no significado das palavras que Wallace acabara de dizer.
Décio já tinha se posicionado, olhando para ela com cautela.
— Dra. Oliveira, vamos começar então?
Aeliana voltou a si, respirou fundo, enfiou os documentos na bolsa e se posicionou em frente a Décio.
Wallace também via isso.
Então.
Enquanto Wallace ainda tinha capacidade de ensinar Aeliana, ele queria aumentar a força dela ao máximo.
Assim, mesmo que Aeliana se aventurasse precipitadamente na fronteira, não repetiria os erros dele.
Na quarta manhã, no pátio.
Décio já servia de parceiro de treino para Aeliana há vários dias seguidos.
Décio massageava o braço dolorido, fazendo caretas de dor ao lado.
— Sr. Wallace, vamos treinar hoje também?
Wallace, sentado na cadeira de rodas, segurava um galho fino e longo de ameixeira, com tom indiferente.
— Hoje não preciso de você.
Décio paralisou,
— Hã?
Wallace "olhou" na direção de Aeliana, um sorriso de satisfação passando pelo rosto.
— A velocidade de progresso da Aeliana é muito rápida; o você de agora, servindo de parceiro, já não surte mais efeito.

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