Tinham combinado tudo previamente.
Só quando ela curasse o veneno de Wallace, ele lhe contaria essas verdades.
Mas agora...
Ela não precisou curar Wallace.
E ele já havia lhe contado a verdade.
Aeliana apertou o pingente, os nós dos dedos ficaram brancos.
Não sabia por que, mas mesmo sabendo a verdade sem precisar trabalhar, Aeliana deveria estar feliz.
No entanto, naquele momento, não havia a menor alegria em seu coração.
O vento noturno soprava, as sombras da ameixeira balançavam no chão, como mãos invisíveis tentando agarrar algo, mas soltando em vão.
Aeliana respirou fundo e guardou o pingente no bolso.
Não importava qual fosse a causa da morte de Flávia.
Não importava que perigos aquela coordenada escondesse.
Ela iria descobrir.
Custasse o que custasse.
Por isso, naquela noite.
Aeliana passou mais uma noite em claro.
Diante dela, pilhas de documentos e mapas.
Aeliana inseriu as coordenadas do pingente no computador, pesquisando informações correspondentes em todas as plataformas.
Seus dedos batiam rapidamente no teclado, o mapa na tela se ampliava continuamente, comparando com vários bancos de dados, até finalmente fixar uma localização.
Uma cadeia de montanhas coberta por uma densa floresta tropical.
Povo Karuê.
Nas profundezas do Pico de Itapacá.
Esse ponto de coordenada ficava em uma área remota de fronteira, cerca de 120 quilômetros mata adentro, com terreno íngreme e coberto por névoa o ano todo; no mapa de satélite, via-se apenas um verde borrado.
Embora a notícia não detalhasse os componentes da toxina, os sintomas e a localização fizeram Aeliana pensar além.
O que parecia ainda mais coincidência para Aeliana.
Perto daquela coordenada que Wallace lhe dera.
Havia rumores de um laboratório secreto.
E as várias doenças e sintomas no corpo de Wallace coincidiam perfeitamente com as amostras que vazaram daquele laboratório anos atrás.
Era difícil não associar o que aconteceu com Wallace a esse laboratório secreto no passado.
— O veneno do Sr. Wallace... será que vem do mesmo lugar do endereço que a Flávia deu? — murmurou Aeliana para si mesma, com a testa franzida.
Ao juntar as pistas, a verdade oculta por trás delas era de arrepiar.
Ela fechou o computador bruscamente e foi até a janela.
Nesse momento, a luz da manhã já atravessava as nuvens, dourando as bordas da ameixeira no pátio.
Aeliana acariciava o pingente na mão, os pensamentos voando.

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