Henrique tirou o maço de cigarros, colocou um cigarro na boca e acendeu.
A luz escarlate do fogo cintilou na noite, refletindo a escuridão no fundo de seus olhos.
O que Henrique não viu foi que, no segundo andar da mansão, a Sra. Rabelo estava diante da janela panorâmica, observando as costas de Henrique enquanto ele partia, com um sorriso significativo nos lábios.
— Interessante.
— É a primeira vez que vejo um lobinho tão teimoso.
No dia seguinte, no escritório do presidente da Vivaz Entretenimento.
Mário estava recostado em sua cadeira de couro, segurando um charuto entre os dedos, em meio à fumaça.
O toque do celular soou no escritório silencioso.
Mário semicerrou os olhos para ver a identificação da chamada na tela do celular.
Sra. Rabelo?
Tão cedo?
Por que a Sra. Rabelo ligaria para ele a essa hora?
Lembrando-se das últimas informações que Evaldo lhe relatara ontem, Mário esboçou um sorriso de compreensão, apertou o botão de atender e trocou algumas amenidades protocolares com ela.
— Sra. Rabelo, tão cedo?
Do outro lado da linha, a voz da Sra. Rabelo soava preguiçosa, mas com um toque de satisfação.
— Sr. Siqueira, dormiu bem ontem à noite?
Mário soltou um anel de fumaça e riu.
— Graças à senhora, dormi bem.
Mário percebeu que a Sra. Rabelo estava de bom humor e, pensando no que poderia ter acontecido na noite anterior, fez uma pausa e perguntou com um tom ambíguo:
— E a senhora... como "descansou" ontem à noite?
— Pelo seu tom tão feliz, deve ter acontecido algo bom, não é?
A Sra. Rabelo riu levemente, a voz transparecendo satisfação.
— Que coisa boa poderia haver? Ainda é tudo graças ao Sr. Siqueira.
— Por me apresentar um bonitão tão ao meu gosto.
— Como poderia? — A Sra. Rabelo tomou um gole de vinho tinto, com um tom de divertimento. — Ele é muito mais interessante do que eu imaginava.
Ela recordou como Henrique fingia calma, mas não conseguia esconder o nervosismo na noite anterior, e um brilho de interesse passou por seus olhos.
— E como se pode comer algo delicioso de uma só vez? Tem que ser mastigado devagar, apreciado aos poucos.
— Mas falando nisso, é até engraçado; aquele Henrique da sua empresa veio morrendo de medo, mas ainda insistiu em dizer que "vendia a arte, não o corpo"...
— Essa teimosia é rara.
— Eu gosto desses ossos duros de roer.
Afinal, brincar com os muito dóceis não tinha graça, não é?
Ao ouvir isso, Mário alegrou-se secretamente e concordou apressadamente.
— Com certeza! Nosso Henrique é famoso por ter personalidade!
Ele girou os olhos e baixou a voz.
— Mas fique tranquila, basta "adestrar" mais algumas vezes e ele certamente ficará obediente...

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