— Mas... mas aquela é a casa que seu namorado te deu. Será que não vai ser... inconveniente a gente ir morar lá?
— Além disso...
Ele espiou Wallace, que estava sentado em silêncio perto da janela, e baixou a voz.
— O Sr. Wallace não disse agorinha que não ia?
Aeliana respondeu calmamente.
— Ele acabou de concordar.
Décio:
— ??
Quando isso aconteceu?
Como ele não ficou sabendo?
Décio virou-se para Wallace, que bufou friamente.
— Tá olhando o quê? Vai logo arrumar as coisas!
Décio sorriu de orelha a orelha instantaneamente e correu todo animado para fazer as malas, cantarolando uma melodia.
Aeliana observou as costas dele, balançando a cabeça e rindo.
Esse garoto bobo, as emoções estavam todas estampadas em seu rosto.
Wallace falou de repente.
— Você sabe como comprar as pessoas.
Aeliana caminhou até ele, com tom sério.
— Sr. Wallace, tudo o que eu disse agora é verdade. Não sinta que é um fardo. Eu preciso da sua ajuda.
Ela fez uma pausa.
— Não é só pela desintoxicação... você também disse antes que me ensinaria defesa pessoal. Lá será mais conveniente para me ensinar isso.
A casa na favela era tão pequena que não havia espaço para treinarem.
Wallace também pensou nisso, ficou em silêncio por um momento e depois acenou com a mão, fingindo impaciência.
— Eu já disse.
— Eu já concordei.
— Uma promessa é dívida, não volto atrás na minha palavra.
— Mas... se você continuar falando, eu não vou mais.
Wallace não estava sendo sincero sobre sua irritação.
Aeliana e Décio trocaram olhares.
E sorriram cúmplices em um entendimento tácito.
...
Embora o namorado de Aeliana fosse rico e atencioso, Décio não menosprezava Aeliana por causa disso.
Afinal, depois da habilidade que Aeliana demonstrou diante de Bruno na última vez, o status dela no coração de Décio já era completamente diferente.
Estava quase se igualando ao de Wallace.
Décio parecia um caipira que acabara de chegar à cidade, tocando em tudo, olhando tudo, do sofá de couro genuíno ao lustre de cristal, e finalmente parou diante da janela do chão ao teto, estalando a língua ao ver o jardim lá fora.
Não pôde deixar de exclamar novamente.
— Dra. Oliveira, seu namorado é rico de verdade!
Aeliana estava colocando a maleta de remédios na mesa de centro e nem levantou a cabeça ao ouvir isso.
— Inveja?
Décio riu.
— Claro! Quem não gostaria de morar numa mansão dessas?
Aeliana então ergueu os olhos para ele, com tom calmo.
— Então você pode aprender medicina comigo.
Décio parou, atônito.
— Hã?
Ele não entendeu por que Aeliana tocou nesse assunto de repente.

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