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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 446

— Mas... mas aquela é a casa que seu namorado te deu. Será que não vai ser... inconveniente a gente ir morar lá?

— Além disso...

Ele espiou Wallace, que estava sentado em silêncio perto da janela, e baixou a voz.

— O Sr. Wallace não disse agorinha que não ia?

Aeliana respondeu calmamente.

— Ele acabou de concordar.

Décio:

— ??

Quando isso aconteceu?

Como ele não ficou sabendo?

Décio virou-se para Wallace, que bufou friamente.

— Tá olhando o quê? Vai logo arrumar as coisas!

Décio sorriu de orelha a orelha instantaneamente e correu todo animado para fazer as malas, cantarolando uma melodia.

Aeliana observou as costas dele, balançando a cabeça e rindo.

Esse garoto bobo, as emoções estavam todas estampadas em seu rosto.

Wallace falou de repente.

— Você sabe como comprar as pessoas.

Aeliana caminhou até ele, com tom sério.

— Sr. Wallace, tudo o que eu disse agora é verdade. Não sinta que é um fardo. Eu preciso da sua ajuda.

Ela fez uma pausa.

— Não é só pela desintoxicação... você também disse antes que me ensinaria defesa pessoal. Lá será mais conveniente para me ensinar isso.

A casa na favela era tão pequena que não havia espaço para treinarem.

Wallace também pensou nisso, ficou em silêncio por um momento e depois acenou com a mão, fingindo impaciência.

— Eu já disse.

— Eu já concordei.

— Uma promessa é dívida, não volto atrás na minha palavra.

— Mas... se você continuar falando, eu não vou mais.

Wallace não estava sendo sincero sobre sua irritação.

Aeliana e Décio trocaram olhares.

E sorriram cúmplices em um entendimento tácito.

...

Embora o namorado de Aeliana fosse rico e atencioso, Décio não menosprezava Aeliana por causa disso.

Afinal, depois da habilidade que Aeliana demonstrou diante de Bruno na última vez, o status dela no coração de Décio já era completamente diferente.

Estava quase se igualando ao de Wallace.

Décio parecia um caipira que acabara de chegar à cidade, tocando em tudo, olhando tudo, do sofá de couro genuíno ao lustre de cristal, e finalmente parou diante da janela do chão ao teto, estalando a língua ao ver o jardim lá fora.

Não pôde deixar de exclamar novamente.

— Dra. Oliveira, seu namorado é rico de verdade!

Aeliana estava colocando a maleta de remédios na mesa de centro e nem levantou a cabeça ao ouvir isso.

— Inveja?

Décio riu.

— Claro! Quem não gostaria de morar numa mansão dessas?

Aeliana então ergueu os olhos para ele, com tom calmo.

— Então você pode aprender medicina comigo.

Décio parou, atônito.

— Hã?

Ele não entendeu por que Aeliana tocou nesse assunto de repente.

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