Daniela continuou tagarelando, ensinando a Amália um monte de "técnicas de jeitos de segurar marido " e segredos de convivência entre casais.
Amália concordou obedientemente com tudo, mas sentiu uma ironia extrema em seu coração.
Foi também a partir desse momento que Amália percebeu subitamente o status de Daniela como dona da família Oliveira não passava disso.
Tudo se resumia a usar a aparência e a astúcia para cativar um homem.
E ela, agora, também vivia assim.
Amália lembrou-se de repente dos dias em que era a senhorita nobre da família Oliveira.
Naquela época, ela só precisava ser uma garota ingênua e doce, e toda a família a mimava e cedia a ela.
Mas e agora?
Depois de se casar com a família Costa.
Embora o sonho tivesse se realizado, ela pisava em ovos na família Costa, e seu relacionamento com a família Oliveira já não era como antes, desde que Beatriz revelou a verdade em público.
Ao voltar para a família Oliveira, ainda era questionada e repreendida pelos familiares...
Será que tudo isso era realmente o que ela queria no início?
Vendo-a distraída, Daniela disse descontente,
— Amália, você ouviu o que eu disse?
Amália voltou a si rapidamente e forçou um sorriso.
— Ouvi, mãe.
— Vou me esforçar.
Só então Daniela assentiu satisfeita.
— Vá, volte para o quarto e descanse um pouco.
...
Mais tarde, Amália foi espairecer no jardim da família Oliveira e sentou-se atordoada.
Amália estava sozinha na cadeira de vime, acariciando inconscientemente a borda do copo de água, com o olhar perdido.
A luz do sol passava pelas frestas das folhas e caía sobre ela, mas não conseguia dissipar a sombra em seus olhos.
— Por que está sentada aqui sozinha, distraída?
Uma voz masculina fria soou atrás dela.
Amália virou-se e viu Felipe, segurando um documento na mão, parado atrás dela.
Vendo que Felipe finalmente não a tratava com descaso e se preocupava com ela.
As lágrimas de Amália escorreram instantaneamente.
Amália desabafou com Felipe sobre a pressão que sentia ultimamente, como vivia pisando em ovos na família Costa, sem ousar dizer uma palavra errada.
— Felipe... eu não vou aguentar por muito mais tempo...
A voz de Amália estava embargada, e as lágrimas rolavam de seu rosto como pérolas de um colar arrebentado.
Felipe franziu a testa e lhe entregou um lenço de papel:
— O que está acontecendo exatamente?
Amália pegou o lenço e soluçou enquanto reclamava.
— A família Costa não me trata como gente...
— Camila me ironiza todos os dias, e o Marcelo nem sequer olha na minha cara...
— Felipe, você sabe, sinto que até respirar é errado na família Costa...
Quanto mais Amália falava, mais injustiçada se sentia, e as lágrimas não paravam de cair.

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