Vendo que Henrique não cedia nem por bem nem por mal, Jacinto perdeu a paciência para continuar mimando-o.
A personalidade de Henrique era daquelas que só aprendem quando a situação é irreversível.
— Ah, é? E com quem você pretende contar?
Ele dizia que ia conseguir investimento, mas dias se passaram e não havia nem sinal disso.
Na visão de Jacinto, se Henrique continuasse assim, o destino final seria inevitavelmente o esquecimento pela empresa.
No entanto, Henrique discordava. De jeito nenhum ele se humilharia pedindo desculpas.
Afinal, ele ainda era do Grupo Oliveira. Se outros soubessem disso, como ele encararia seu círculo social depois?
Henrique cerrou os punhos e ergueu o queixo com arrogância.
— Minha irmã... Amália.
Ao mencionar esse nome, seu tom involuntariamente carregou uma certa certeza.
— Ela é a nora da família Costa. Marcelo a trata muito bem. Basta ela pedir, e a família Costa certamente ajudará.
Jacinto sorriu com ironia.
— É mesmo? Então por que você não liga para ela agora e pergunta?
O rosto de Henrique endureceu levemente.
Ele já havia ligado várias vezes para Amália recentemente, mas, não sabia se por ocupação ou outro motivo, ninguém atendia.
As mensagens no WhatsApp também ficavam sem resposta.
Mas ele não podia demonstrar fraqueza diante da empresa, então disse friamente:
— Ela está ocupada ultimamente. Vou contatá-la depois.
— Desde que eu consiga o investimento para a empresa, está tudo certo, não é?
Jacinto cruzou os braços, encarando Henrique com frieza, com um sarcasmo indisfarçável na voz.
— Por que isso soa tão pouco convincente para mim?
— Você não disse que a Sra. Costa é a irmã que você mais ama? Não tem coragem nem de fazer uma ligação?
Henrique tensionou o maxilar, os nós dos dedos ficando brancos.
— Já disse que ela está ocupada. Precisa mesmo me forçar a ligar agora?
— Jacinto, tenha um pouco de respeito!
Jacinto zombou, não acreditando que Henrique tivesse qualquer chance de virar o jogo.
O sarcasmo de Jacinto foi como um tapa estalado no rosto de Henrique.
Henrique sentiu o sangue subir à cabeça, a vergonha e a raiva queimando suas orelhas.
A vida toda ele teve tudo fácil; quando havia sofrido tal humilhação pública?
— Me... me dê mais um tempo...
Sua voz saiu quase espremida entre os dentes.
No entanto, Jacinto já havia se levantado, olhando-o de cima.
— Henrique, acha que ainda é aquele astro do topo? A empresa te dá prestígio, só assim você tem o que comer.
Jacinto bateu no ombro dele, com um tom leve e desdenhoso:
— A empresa lhe dá três dias. Ou você pede desculpas à Aline, ou...
Ele sorriu levemente.
— Prepare-se para a rescisão.
— E mais um aviso.

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