Aeliana ficou pensativa, mas não insistiu nas perguntas.
Após se acomodar no quarto, Aeliana parou junto à janela e discou o número de Jocelino.
A ligação foi atendida rapidamente. A voz grave do homem veio pelo receptor, carregando uma preocupação sutil.
— Terminou tudo por aí?
Aeliana batia levemente a ponta dos dedos no parapeito da janela, com tom calmo.
— Ainda não. Talvez precise ficar em Nova Aurora por mais uma semana.
Do outro lado da linha, houve um silêncio de dois segundos.
— Uma semana? — A voz de Jocelino ficou mais pesada. — Você não disse que voltaria no mesmo dia?
Aeliana massageou as têmporas. Ficar em Nova Aurora por uma semana foi uma decisão de última hora.
No entanto, como o assunto envolvia Flávia, havia muitas coisas que Aeliana não podia explicar para Jocelino.
— A situação mudou. Preciso ajudar alguém a se desintoxicar, por isso ficarei aqui uma semana.
A respiração de Jocelino pareceu parar por um instante. Quando ele falou novamente, seu tom já trazia uma autoridade inquestionável.
— Então me mande o endereço. Vou para aí ficar com você agora mesmo.
Aeliana riu.
— Não precisa, eu me viro sozinha.
— O paciente desta vez é amigo da minha mestra. Tenho ele para cuidar de mim por aqui, não vai acontecer nada.
A voz de Jocelino esfriou ainda mais.
— Aeliana, não vou te impedir de trabalhar, mas pelo menos deixe-me ir ficar com você. Como posso ficar tranquilo com você sozinha aí fora desse jeito?
— Pode ficar tranquilo. — Aeliana usou um tom descontraído. — Você não confia nas minhas habilidades? Derrubar dez de uma vez não é problema.
Um suspiro leve veio do outro lado da linha. Jocelino parecia não ter argumentos contra ela, mas seu tom permaneceu sério.
— Não estou negociando com você.
— Jocelino.
Aeliana chamou-o pelo nome repentinamente, com um toque de sorriso resignado na voz.
— Sei que está preocupado comigo, mas, por favor, confie em mim, está bem?
Houve um momento de silêncio do outro lado.
Em seguida, a voz grave do homem soou lentamente, palavra por palavra, com uma força irrefutável.
— Aeliana.
Aeliana estremeceu, e seu coração falhou uma batida inexplicavelmente.
Jocelino continuou.
Jocelino captou agudamente o nome desconhecido, e sua voz congelou instantaneamente.
— Quem é?
Aeliana explicou brevemente a identidade de Décio. Ao ouvir, o tom de Jocelino continuou descontente.
— Um delinquente vai garantir sua segurança?
Aeliana suspirou.
— Ele não é um delinquente.
Jocelino soltou um resmungo frio, claramente insatisfeito com a explicação, mas não insistiu mais em enviar alguém.
Por fim, disse apenas com voz grave:
— Lembre-se do que me prometeu.
Aeliana riu levemente.
— Entendido.
Após desligar, ela olhou para a noite fora da janela, e os cantos de seus lábios se ergueram involuntariamente em um sorriso suave.
A sensação de ter alguém preocupado...
Não parecia nada ruim.

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