Pelo comportamento recente de Wallace, Aeliana percebeu que aquele homem era, de fato, um velho conhecido de Flávia e não lhe desejava mal.
Assim, Aeliana não hesitou mais. Deu dois passos decisivos à frente e colocou as pontas dos dedos no pulso dele.
Aeliana concentrou sua energia.
O pulso do homem parecia extremamente pesado e áspero.
Havia sintomas de esgotamento de energia vital e sangue, além de danos em todos os cinco órgãos viscerais...
Sintomas que não eram estranhos para Aeliana após sua saída da prisão.
Eram sinais de envenenamento!
Aeliana franziu a testa, analisando cuidadosamente as anomalias no pulso, mas quanto mais diagnosticava, mais grave sua expressão se tornava.
— Você foi envenenado.
Aeliana retirou a mão, com a voz grave e tingida de perplexidade.
— E... é uma toxina composta muito rara.
Wallace sorriu.
— Consegue identificar qual é o veneno?
Aeliana balançou a cabeça.
— Um dos componentes do seu veneno é muito complexo. Por enquanto, não consigo distinguir a origem dessa toxina específica.
A expressão de Wallace demonstrou uma decepção momentânea, mas logo voltou ao normal.
— Como imaginei...
— Flávia também diagnosticou esse veneno para mim no passado. Na época, ela também não conseguiu identificar.
Se nem sua mestra conseguiu, era natural que Aeliana, tendo estudado apenas quatro anos, também não conseguisse.
A voz de Wallace era suave, carregada de autoironia.
— Parece que este meu corpo realmente não tem salvação.
Aeliana o encarou e falou de repente.
— Se você estiver disposto a confiar em mim, posso tentar.
Wallace "olhou" para ela, erguendo levemente a sobrancelha.
— Oh?
Aeliana manteve o tom firme.
— Uma semana. Ficarei ao seu lado para pesquisar uma solução para o antídoto.
Aeliana estimou que precisaria ficar ali pelo menos uma semana para encontrar a origem da toxina de Wallace.
Portanto, encontrar uma acomodação era indispensável.
Aeliana arrastava sua mala, seguindo Décio pelas vielas estreitas e úmidas.
Sendo uma área economicamente menos desenvolvida, as casas na Nova Aurora não eram tão novas ou modernas quanto as do centro da cidade.
A viela para onde Décio levou Aeliana tinha prédios residenciais antigos espremidos uns contra os outros. As paredes eram descascadas, fios elétricos se emaranhavam desordenadamente acima das cabeças e, ocasionalmente, roupas secavam nas varandas, balançando com a brisa, exalando uma forte atmosfera de vida cotidiana.
Décio caminhava e olhava para trás, sorrindo abertamente.
— Dra. Oliveira, não repare no ambiente, mas o aluguel é barato e a vizinhança é toda conhecida. É seguro!
Ele apontou para a tatuagem em seu braço, com um tom orgulhoso.
— Comigo aqui, ninguém nessa área vai ousar te incomodar.
Aeliana lançou-lhe um olhar e disse calmamente.
— Há quanto tempo você mora aqui?
Décio coçou a cabeça, dizendo um número incerto.
— Acho que uns três anos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Despertar Depois dos 1460 dias