Rodrigo era mesmo o tal diretor geral enviado da matriz?
E ele ainda havia ordenado que Rodrigo buscasse chá, água, e fizesse cópias para ele...
Acabou!
Estava tudo arruinado desta vez!
Sentada num canto da sala, Gerente Silvana ficou estarrecida ao ouvir a notícia. De olhos arregalados, observava com a boca levemente aberta; espantou-se olhando para Odilon e a pacífica serenidade exposta no rosto do chefe Rodrigo. Um tremendo retumbar tomou os miolos da mulher e um único veredito restava em seu espírito:
Dessa vez morreria de vergonha no meio de todo mundo!
Jamais iria cogitar nem nos melhores palites que Rodrigo de fato encarnava na pessoa do mandachuva!
Lembrar que o pegara agressiva pelos cantos e exigira de modo imperativo sua saída para evitar vexames em dias não muito distantes, esmagava-lhe a espinha e o orgulho.
— Que... E e agora, que papel vai sobrar para mim?
Seria possível uma represália e ele me culpar em praça pública?
Silvana sentiu as orelhas ardendo como tições de fogo; não teria problema evaporar do ambiente da conferência como vapor sem que ninguém reparasse.
Contudo, indubitavelmente o rosto transfigurado num retrato lúgubre, perambulante de horrores, encontrava-se com total clareza em Lopes.
Só naquele exato instante que todo este caldo infernal lhe passava os sabores intragáveis pelo corpo que as memórias rebobinadas se alinharam: do motivo crucial porque, coincidentemente, o 'executivo prometido' se isentara nos dias chaves marcados de recepção.
Ele ingenuamente suspeitara das desculpas habituais de adiamento da comitiva corporativa da chefia maior...
A finalidade inteira de ele simplesmente não conseguir o faro executivo, humilhara a lenda! Ele se desmanchou perante ao que devia estar aplaudindo na hierarquia e subitamente maltratou o que achava lixo.
A cabeça não aguentava digerir a estupidez de seu ego de destratar quem exigira sua lealdade por uns dois ou três dias miseráveis de rotinas diárias. Lopes suava e sentia no fundo da própria panturrilha que nem o chão sustentava tanta frouxidão do corpo num banho farto de temores debaixo da camisa social.
— Sr... Sr. Oliveira...
— Eu... E, eu juro pela minha ignorância da sua honraria sagrada... Eu na semana passada...
Lopes tropeçava numa torrente verborrágica desconexa enquanto engasgava de modo incompreensível; sem qualquer esperança no raciocínio para inventar justificação, notou que apenas cavava, sozinho, seu profundo descaso sem limites.
Rodrigo conferiu de maneira superficial a cara trêmula num único raio visual apático e sem o rastro de aborrecimento, entretanto capaz de gerar em Lopes um pavor imensurável, fazendo-o reter engolido todos os embates fúteis e de justificação que se enforcaram nos ossos da laringe.

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