Tomara que esse novato consiga ficar um pouco mais.
Silvana pensou consigo mesma, assentiu e não disse mais nada.
— Eu dou um jeito de resolver o projeto.
— Francisco, a avaliação de desempenho deste mês será repassada exatamente como as coisas são ao Sr. Sousa e ao Iran. Cuide-se!
Ela jogou essas últimas palavras com frieza para Francisco. Sem olhar mais para a cara dele, deu as costas e saiu a passos rápidos, o som dos saltos ecoando pela área do escritório.
— Rá!
— Que mulherzinha!
— Uns imbecis! Farinha do mesmo saco!
Francisco cuspiu no chão em direção às costas de Silvana, praguejando em voz baixa.
— Uma velha na menopausa e você, um garoto insolente que não sabe o seu lugar.
Ele encarou Rodrigo com um olhar sombrio, carregado de um ressentimento que não tentava disfarçar.
— Moleque, você está na minha lista! O mundo dá voltas!
Depois de dizer isso, ele se virou, arrastando dois puxa-sacos que ainda estavam atônitos assistindo à cena, e saiu esbravejando, pisando duro como se quisesse furar o chão.
O pequeno escândalo foi temporariamente abafado e o escritório retornou ao seu silêncio preguiçoso, embora a atmosfera estivesse visivelmente mais tensa.
Muitas pessoas espiavam disfarçadamente para o canto do setor B, curiosas para saber o que aconteceria a seguir com o novato que, logo no primeiro dia, tivera a coragem de bater de frente com a raposa velha.
Portanto, em relação aos pequenos abusos diários de Francisco, contanto que não virassem um escândalo e não afetassem os próprios interesses do gerente, o Sr. Sousa simplesmente fechava os olhos. Às vezes, até soltava casualmente uma ou duas palavras amigáveis para o Iran ou outros gerentes, para dar um aval indireto ao parente.
Essa conivência mútua fazia Francisco se sentir intocável.
Ele sabia que, enquanto não batesse de frente diretamente com a alta administração e não causasse nenhum problema que fugisse do controle, usar o nome do Sr. Sousa era como um passe livre para andar pela Eixo&Forma Engenharia & Construção de peito estufado.
Os funcionários comuns temiam essa conexão e evitavam qualquer confusão com ele.
Pessoas na gerência média, como Iran, também precisavam dar algum desconto ao Sr. Sousa. Então, em relação aos atos de Francisco, levantavam a mão como se fossem bater e deixavam cair sem força.
Portanto, quando Francisco ficou com rancor da audácia de Rodrigo, ele decidiu ensinar-lhe uma boa lição.
Ele não precisava fazer ameaças diretas. Bastava deixar cair algumas queixas “acidentais” com os colegas perto do bebedouro. Isso seria o suficiente para instaurar o bullying corporativo contra Rodrigo, naquele escritório que já estava com o moral no chão.

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