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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1744

— Na época em que a garota da família Oliveira voltou, como é que eles a trataram? Principalmente esse filho mais velho, com o nariz sempre empinado, desprezando todo mundo, nem para a própria irmã de sangue ele dava um sorriso!

— Se ele tivesse sido só um pouquinho melhor com ela, com a posição que a irmã dele tem hoje, qualquer migalha que caísse da mão dela já seria suficiente para eles viverem como reis! Precisariam estar passando por todo esse sufoco?

— É isso mesmo! E eu ouvi dizer que a filha verdadeira deles é uma médica de mão cheia, supercompetente, já salvou a vida de muita gente!

— Todo mundo sabe que quem escolhe ser médico tem um coração mole. Para fazer alguém de bom coração ficar tão ressentida a ponto de lavar as mãos e abandoná-los de vez, imagina só o nível das atrocidades que essa família Oliveira cometeu?

— Por isso que eu digo, quem planta o mal, colhe a tempestade! Deus não dorme!

As vozes não eram muito altas nem muito baixas, no tom perfeito para chegarem aos ouvidos de Rodrigo e Daniela.

Rodrigo manteve o rosto sereno, como se não tivesse escutado nada. Apenas acelerou os movimentos, enfiando a última sacola no carro. Depois, abriu a porta e fez sinal para Daniela entrar.

Durante aqueles três meses, ele ouvira comentários semelhantes tantas vezes que já estava anestesiado, até aprendera a filtrá-los automaticamente.

Neste momento, a única coisa que ele queria era sair logo dali, ir para um lugar onde ninguém os conhecesse.

Onde ninguém o conhecesse, esses olhares e fofocas insistentes também desapareceriam.

Porém, Daniela não conseguia manter a mesma frieza.

Aquelas palavras espetavam seu coração como agulhas, especialmente a última frase sobre "colher a tempestade", fazendo com que a humilhação acumulada durante meses estraçalhasse sua razão.

Pensando que estavam indo embora para nunca mais voltar de qualquer maneira, Daniela virou-se bruscamente para os vizinhos curiosos. Sem nenhum pudor, revirou os olhos dramaticamente e esbravejou com a voz estridente.

— Estão olhando o quê? Perderam alguma coisa aqui?

— Bando de caipiras ignorantes! Não fazem nada o dia todo além de fofocar pelas costas dos outros! O que a nossa vida tem a ver com vocês para ficarem julgando?

— Com essa língua de trapo, é um milagre que ainda não tenha apodrecido!

— Mãe! Chega!

— Entre no carro!

— Você já não acha que estamos passando vergonha o suficiente?

A voz dele carregava uma irritação e impaciência sufocadas.

Sendo puxada e repreendida por ele daquele jeito, Daniela se sentiu injustiçada ao extremo, e as lágrimas brotaram instantaneamente.

Ela achou que o filho, além de não defendê-la, ainda a considerava uma vergonha! Ela sacudiu o braço soltando-se com força do aperto de Rodrigo, lançou-lhe um olhar furioso, abriu a porta e, num gesto infantil, enfiou-se no banco do passageiro, batendo a porta com violência num baque surdo.

Rodrigo olhou para a porta fechada, depois para os olhares teatrais ao redor, e sentiu apenas uma profunda e esmagadora sensação de cansaço e impotência varrer todo o seu corpo.

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