Aeliana apoiou-se no batente da porta, pensou um pouco e balançou a cabeça.
— Faça como quiser.
O som da água não demorou a soar. Jocelino colocou o pijama que havia escolhido na prateleira do banheiro e avisou através do vidro temperado jateado:
— A temperatura da água está ajustada, é só entrar.
O tempo passou sem que percebessem, e a noite já ia alta.
Depois de tomarem banho e se vestirem com os confortáveis pijamas, os dois deitaram lado a lado na ampla e macia cama de casal.
A suíte principal do Solar da Montanha tinha uma vista excelente. As cortinas grossas não estavam totalmente fechadas, deixando uma fresta que permitia que o luar e o brilho dos letreiros luminosos da cidade distante entrassem furtivamente no quarto.
Havia também uma luminária de luz suave acesa na cabeceira da cama, lançando sombras difusas pelo quarto à meia-luz.
O quarto estava imerso em silêncio, apenas o som fraco da respiração dos dois podia ser ouvido.
Jocelino deitou-se de lado e passou o braço ao redor da cintura de Aeliana de forma natural, puxando-a inteiramente para o seu abraço.
Aeliana, por hábito, também ajustou a postura para encontrar a posição mais confortável nos braços dele, com a testa levemente encostada no maxilar dele.
O cheiro de frescor após o banho se misturou ao cheiro familiar um do outro, alimentando silenciosamente uma inefável sensação de intimidade e dependência mútua.
— Está cansada? — Jocelino perguntou em voz baixa, com os dedos afastando o cabelo da nuca dela.
Aeliana negou com a cabeça e se encolheu ainda mais no abraço dele:
— Não. Só estava pensando que... Faz tempo que a gente não ficava assim.
— É. — O braço dele se apertou ao redor dela, e o queixo esfregou o topo de sua cabeça. — Faz muito tempo.
Aeliana então ficou quieta de fato, apenas seu coração bateu mais rápido.
— ...Seu coração está batendo tão forte. — Ela murmurou.
— Percebeu? — Ele soltou um riso contido, uma leve vibração reverberando pelo peito, enquanto seus lábios quentes tocavam o topo da cabeça dela. — E o seu?
Aeliana não respondeu, apenas puxou levemente o ar. Ela sentia claramente as mudanças do corpo do homem às suas costas, e era uma declaração silenciosa, mas extremamente presente.
Jocelino abaixou lentamente a cabeça; seus lábios quentes primeiro tocaram suavemente o topo da cabeça dela, depois percorreram a lateral de sua testa e suas sobrancelhas, descendo até repousar na bochecha macia dela.
Ele usou os lábios e a barba por fazer em seu queixo para roçar lentamente pela pele macia dela.
Aquela sensação fazia um pouco de cócegas, causava um leve torpor.
Era como se uma fraca corrente elétrica tivesse corrido da pele encostada até o fundo do coração de Aeliana, fazendo com que ela estremecesse de leve, sem conseguir se controlar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Despertar Depois dos 1460 dias