Aeliana não dizia isso por raiva, ela realmente pensava dessa forma.
O ódio e o amor eram duas emoções muito extremas.
Odiar era cansativo, e amar também. Em relação à família Oliveira, Aeliana simplesmente não tinha mais energia para nutrir qualquer tipo de sentimento por eles.
No entanto...
Aeliana fez uma pausa e, lembrando-se da personalidade de Rodrigo, acrescentou:
— Eu acho que, com o temperamento do Rodrigo, não é certo que ele vá aceitar.
Os jovens de famílias ricas criados no Vale Tropical tinham uma arrogância enraizada em seus ossos.
Ainda mais Rodrigo, que desde pequeno sempre foi excelente nos estudos e no comportamento, destacando-se entre os de sua idade. O orgulho que ele carregava era muito maior do que o dos outros.
Caso contrário, ele não teria preferido voltar para o interior e sofrer, carregando o fardo que era a Daniela e os outros, em vez de abaixar a cabeça e procurar Aeliana.
Afinal de contas, desde que não continuassem a arrumar problemas para ela, se eles quisessem continuar morando na capital, Aeliana não os expulsaria à força.
— Além disso... O Rodrigo me prometeu naquela época que nunca mais apareceria na minha frente. Com essa promessa de pé, receio que ele estaria ainda menos disposto a aceitar qualquer "ajuda" que pudesse estar ligada a mim.
Ter um ego forte demais poderia ser uma qualidade para alguns, mas, às vezes, tornava-se uma prisão.
Ao ouvir a análise de Aeliana, Jocelino bateu levemente os dedos no joelho, e um brilho pensativo cruzou seus olhos.
É claro que ele sabia que Rodrigo tinha um orgulho inabalável, senão não teria chegado àquele ponto. Mas a maneira como ele via a situação era um pouco diferente da de Aeliana.
— Se ele vai aceitar ou não, é um problema dele. Mas dar a oportunidade, é escolha minha.
Jocelino falou devagar, com um tom firme e inabalável:
— Talentos já são raros por si só, especialmente alguém que passou pelo fundo do poço e ainda tem certa competência.
— O dilema atual do Rodrigo é culpa da família, mas não significa que não haja margem para uma reviravolta.
Ele a conhecia. Ela tinha uma casca dura, mas, no fundo, valorizava as relações.
Aquele sentimento confuso por Rodrigo não era exatamente um afeto antigo que não havia acabado, mas sim uma compaixão por ver alguém semelhante sofrer.
Aeliana escutou em silêncio, sem refutar imediatamente.
As palavras de Jocelino foram como uma pequena pedra atirada em um lago calmo, criando suaves ondulações.
Ele tinha razão. Ela não sentia ódio por Rodrigo, apenas distanciamento. Se Rodrigo conseguisse sair da lama e se reerguer com suas próprias habilidades, levando uma vida digna, não seria algo ruim para ela.
Aeliana olhou para as mãos unidas dos dois e, após um bom tempo, soltou um leve suspiro.
— Você já tem um plano em mente? — ela ergueu os olhos e olhou para Jocelino. Não era uma pergunta, mas uma constatação. Ela o conhecia, se ele havia mencionado o assunto, muito provavelmente já tinha pensado em como agir.
Os cantos dos lábios de Jocelino se curvaram levemente.

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