Ocultar a verdade, talvez, fosse uma falta de respeito com ela.
Mais importante ainda, Amália agora havia retornado para o lado de Leonardo, e ele estava novamente de olho nela e em Jocelino.
No futuro, era difícil garantir que seus caminhos não se cruzassem novamente. Deixar Beatriz a par da situação atual de Amália poderia, quem sabe, deixá-la mais alerta contra problemas em potencial.
Após ponderar por um momento, Aeliana tomou uma decisão.
— A propósito, Beatriz, tem mais uma coisa que eu preciso te contar.
— A Amália... Ela está na Vila das Nuvens Cinzentas e deu à luz uma menina.
Do outro lado da linha, a voz de Beatriz cessou abruptamente, mergulhando em um longo silêncio.
Aeliana podia até mesmo ouvir sua respiração levemente acelerada.
Depois de um bom tempo, Beatriz finalmente abriu a boca, com a voz um pouco trêmula, carregando uma emoção complexa e indescritível:
— É mesmo... Ela teve uma filha...
— Isso... é bom.
O clima de repente ficou estagnado.
Aeliana conseguia entender os sentimentos confusos de Beatriz naquele momento.
Em relação àquela "Amália" que um dia fora arrogante, mimada e que havia machucado tanto a ela quanto a Marcelo, o fato de ter tido uma criança nessas circunstâncias provavelmente deixava Beatriz com um misto de emoções, sem saber ao certo como reagir.
Aeliana não disse muito mais, apenas murmurou um som de concordância, mudando suavemente de assunto. Conversaram sobre outras coisas, garantindo a Beatriz que estava tudo bem do seu lado e que não precisava se preocupar, antes de encerrar a ligação.
Ao abaixar o celular, Aeliana olhou para Aline ao seu lado, que ainda exibia uma expressão de choque, como se não tivesse digerido toda a informação, e sorriu sem jeito:
— Bom, agora todas vocês já sabem.
— No entanto, Aline, preciso te alertar sobre uma coisa.
Lá fora, a vista familiar da cidade, o trânsito intenso e o barulho de sempre continuavam, mas sua mente estava como a superfície de um lago atingida por uma pedra, com ondulações difíceis de acalmar.
Amália teve uma filha.
Esse pensamento girava sem parar em sua cabeça.
Por mais que Beatriz odiasse Amália, desprezasse seu caráter e ressentisse profundamente o mal que ela havia causado ao seu irmão e à família Costa...
Era impossível negar que aquela menina recém-nascida carregava metade do sangue da família Costa nas veias. Era, biologicamente, sua sobrinha.
Como seria... aquela criança?
Beatriz pensou nisso de forma incontrolável, mas logo reprimiu a ideia, achando sua própria compaixão um tanto ridícula.
Porém, os laços de sangue, no fim das contas, a impediam de ficar completamente indiferente a uma nova e inocente vida.
Hesitação, conflito, irritação... Várias emoções se misturavam em seu peito.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Despertar Depois dos 1460 dias