O sol entrava pelas frestas das persianas, lançando padrões manchados de luz e sombra sobre os dois e desenhando uma cena de extraordinária paz e aconchego.
O ar cheirava levemente a desinfetante, mas esse odor parecia ser diluído pela ternura daqueles dois corpos entrelaçados.
Odilon continuou parado na porta, mantendo a mão na maçaneta, sem se atrever a mover um músculo, e até a sua respiração ficou inconscientemente mais leve.
Ele observou os dois dormindo abraçados na cama e sentiu um misto de emoções.
Durante aquele período, ele testemunhou como o Sr. Barreto havia vigiado a Sra. Oliveira incansavelmente, dia e noite. Mesmo exausto, ele ainda reunia forças para lidar com as pilhas de trabalho da empresa.
Mesmo quando a exaustão chegava ao limite, ele apenas se encostava na cadeira para descansar os olhos por um instante, acordando de sobressalto ao menor sinal de movimento.
Era como se houvesse uma corda esticada ao máximo dentro dele, pronta para arrebentar a qualquer segundo.
E agora, vendo que o Sr. Barreto finalmente conseguira abaixar a guarda e cair em um sono profundo, Odilon percebeu que o semblante carregado de Jocelino há dias havia se suavizado um pouco.
Sendo o assistente que acompanhava Jocelino há tantos anos, a reação principal de Odilon ao ver aquela cena foi um grande suspiro de alívio.
Os documentos poderiam esperar. Qualquer assunto, por mais urgente que fosse, teria que aguardar até que o Sr. Barreto acordasse.
Odilon pensou consigo mesmo enquanto seu olhar varria o corredor vazio, certificando-se de que não havia ninguém vindo para incomodar.
Ele recolheu a mão silenciosamente e fechou a porta bem devagar, quase sem fazer nenhum som.
...
Talvez fosse pela presença de Jocelino ao seu lado, mas Aeliana dormiu extremamente bem, sem ter nenhum sonho a noite toda.
Quando Aeliana abriu os olhos novamente, sua consciência foi retornando aos poucos. Ela instintivamente passou a mão pelo lado da cama, mas encontrou apenas os lençóis frios. Não havia nenhum sinal de Jocelino; estava tudo vazio.
Onde estava Jocelino?
Será que ele havia voltado para a cadeira?
Aquele homem teimoso! Ela havia tido tanto trabalho para convencê-lo a deitar um pouco na noite anterior, e ele havia dormido por tão pouco tempo?
Ele achava mesmo que era feito de ferro e não precisava descansar?
O coração de Aeliana se apertou, e a maior parte da sua sonolência desapareceu instantaneamente.
— Finalmente você acordou!
Aline soltou um suspiro de alívio ao vê-la desperta, mas sua testa continuava franzida enquanto ela ajeitava as cobertas de Aeliana e respondia.
— O meu irmão... ele saiu para dar um trato na aparência.
— Falando nisso, vocês dois realmente têm uma sintonia e tanto. Ele acordou só meia hora antes de você.
— Você não faz ideia de como ele estava quando acordou...
— Tsc, tsc!
Aline estalou a língua duas vezes, olhando para Aeliana com uma expressão difícil de descrever.
Para a geração de Aline, Jocelino sempre foi o garoto prodígio, um modelo a ser seguido desde criança.
Na memória dela, Jocelino era sempre impecável, sensato e invulnerável a qualquer hora e em qualquer lugar, parecendo capaz de sustentar o céu se ele caísse, sem sequer mudar de expressão.
Nos seus mais de vinte anos de vida, Aline nunca o vira tão... tão desleixado.

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