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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1693

Aeliana achava que não era nada demais a princípio, mas acabou ficando inexplicavelmente envergonhada sob a pergunta direta e o olhar profundo dele.

Seu coração falhou uma batida, suas bochechas esquentaram e ficaram ainda mais vermelhas, e até mesmo seu pescoço ganhou um leve tom rosado.

Aeliana xingou Jocelino mentalmente.

Jocelino, seu tarado!

Ela só o havia chamado para subir e descansar um pouco. Que tipo de olhar era aquele?

Aeliana sentia-se tímida e irritada, mas ao ver a exaustão indisfarçável no fundo dos olhos dele, essa pequena irritação se transformou em insistência.

— Claro que eu sei!

Aeliana desviou o olhar para não encarar aqueles olhos que pareciam ler a alma de qualquer um, mas seus dedos ainda seguravam teimosamente a manga da camisa dele. Sua voz saiu um pouco mais alta do que antes, tentando usar a firmeza para disfarçar a insegurança.

— Olha, esta cama de hospital é bem larga. Se você realmente não consegue ficar tranquilo e não quer ir embora... que tal subir e deitar um pouco?

— A cama deve ser um pouco mais confortável do que ficar sentado aí, não acha? Essa cadeira é tão dura, deve estar machucando. Você não se sente mal?

— Que absurdo.

Jocelino repreendeu-a suavemente, mas seu corpo não se moveu, e havia um traço de resignação em seu olhar.

— Você está machucada. E se eu subir e acabar te apertando?

— Seria ainda pior se eu pressionasse seus ferimentos.

— Não vai. Eu serei muito cuidadosa, e além disso, meu machucado é do lado esquerdo. É só você deitar do lado direito, não é?

Aeliana não desistiu e puxou a manga dele novamente, chegando a arranhar levemente a palma da mão dele com a ponta dos dedos, num tom de mimo.

— Deita só um pouquinho. Olha só para você, seu rosto está tão abatido, as olheiras estão tão profundas. Você não vai conseguir descansar direito sentado aí.

— E se eu ainda não tiver melhorado e você desabar, quem vai cuidar de mim?

— Relaxe um pouco, Sr. Barreto. A cama não vai desabar.

— Ficar tenso assim é mais cansativo do que sentar na cadeira.

O toque levemente frio fez o corpo de Jocelino tremer de forma quase imperceptível. Ele virou a cabeça para encará-la, e a distância entre os dois era tão curta que ele podia ver o próprio reflexo nos olhos dela.

— Não brinque.

Ele avisou com a voz grave e baixa, mas seu corpo tenso relaxou um pouco diante daquela aproximação voluntária, deixando de ficar tão rigidamente suspenso.

Jocelino virou o rosto para ela. Seus rostos estavam quase colados, e a respiração de ambos era claramente audível.

— Satisfeita agora?

Ele perguntou em voz baixa, e o som pareceu extraordinariamente rouco e magnético naquele espaço confinado.

— Hum, passou raspando.

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