Ela virou a cabeça lentamente e a primeira coisa que viu foi aquela figura familiar na cadeira ao lado da cama.
Jocelino estava sentado na cadeira ao lado da cama, e o seu corpo grande parecia um pouco desconfortável e encolhido na cadeira.
Uma mão segurava gentilmente a mão dela, e a outra apoiava a própria testa.
O olhar de Aeliana pousou no rosto dele.
O cabelo de Jocelino, normalmente arrumado de forma impecável, estava um pouco bagunçado agora, com algumas mechas espalhadas pela testa.
Abaixo de seus olhos, havia sombras escuras, densas e visíveis, e no queixo surgia uma camada de barba por fazer, dando à sua habitual frieza e nobreza um toque raro de cansaço e esgotamento.
Mesmo dormindo, as suas sobrancelhas pareciam estar levemente franzidas, como se estivesse preocupado com algo até nos sonhos.
Durante o tempo em que ela esteve dormindo, Jocelino ficou... de guarda aqui o tempo todo?
Aeliana olhou para ele em silêncio, e o lugar mais sensível em seu coração pareceu ter sido tocado gentilmente por alguma coisa, criando uma onda quente e ao mesmo tempo melancólica.
Ela moveu os dedos da mão que estava sendo segurada por ele, muito de leve, temendo acordá-lo.
No entanto, o sono de Jocelino parecia ser extremamente leve.
Quase no mesmo instante em que os dedos de Aeliana se moveram, a mão que apoiava a sua testa tremeu violentamente. Em seguida, os olhos fechados se abriram de supetão!
Talvez por ter acabado de acordar, o olhar de Jocelino inicialmente carregava um pouco de confusão e uma vigilância afiada e instintiva. Mas, quando ele viu com clareza Aeliana na cama, olhando silenciosamente para ele, a nitidez e a vigilância em seus olhos recuaram rapidamente como uma maré, sendo substituídas no mesmo instante por uma imensa surpresa.
— Aeliana? Você acordou?
Jocelino sentou-se reto quase que imediatamente, apertando a mão dela de forma inconsciente. A sua voz estava um pouco rouca, tanto por ter acabado de acordar quanto pela emoção.
Ele examinou Aeliana de cima a baixo com nervosismo, fazendo uma série de perguntas às pressas.
Jocelino ficou surpreso por um momento com a fala em tom de brincadeira dela. Logo depois que caiu em si, os seus nervos, que estiveram sempre sob tanta tensão, pareceram finalmente relaxar um pouco. Ele segurou a mão inquieta dela, levou-a aos lábios e deu um beijo suave. A preocupação em seus olhos ainda não havia desaparecido totalmente, mas agora se somava a um sorriso genuíno e uma sensação de enorme alívio.
— Numa situação destas e você ainda tem energia para brincar, parece que está realmente bem.
— Você tem noção de que dormiu por dois dias inteiros? Me deu um susto de morte.
— Dois dias?
Aeliana também ficou surpresa, pois achou que tivesse dormido apenas uma noite.
Não era para menos.
Aeliana olhou para o rosto de Jocelino, que estava tão próximo, e podia até ver a intensa vermelhidão em seus olhos por ter passado a noite em claro.
Não era à toa que ela achou que Jocelino parecia tão exausto, como se estivesse de guarda há vários dias e noites.

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