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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1670

O vento uivava, carregando o cheiro de sangue e pólvora que logo se dissipava na imensidão da noite.

Apenas as ondas continuavam a bater incansavelmente contra a margem, emitindo um som abafado e monótono, como se nada tivesse acontecido.

A noite e as ondas do mar se tornaram o melhor esconderijo.

O motor da lancha soltava um rugido ensurdecedor enquanto acelerava loucamente sobre o mar. A embarcação sacudia violentamente devido à alta velocidade, e cada vez que caía na água, erguia enormes ondas. A água fria do mar batia constantemente sobre os três, trazendo calafrios desconfortáveis.

Jocelino controlava o leme com total concentração. Seu olhar, aguçado como o de uma águia, estava fixo na escuridão do mar à frente e no painel de instrumentos.

Aeliana e Décio, por sua vez, mantinham-se alertas, ajoelhados em cada lado da lancha. Com as armas firmemente nas mãos e os canos apontados para a popa, estavam prontos para se defender de qualquer perseguidor que pudesse surgir.

Atrás deles, as luzes e o alvoroço do cais ficavam cada vez mais distantes, transformando-se gradualmente em borrões luminosos.

Os homens de Leonardo foram claramente pegos de surpresa pela explosão repentina e pelo caos. Embora algumas lanchas tivessem tentado persegui-los, graças à escuridão e às ondas, foram rapidamente despistadas pela exímia habilidade de pilotagem de Jocelino. No final, os inimigos só puderam dar voltas frustradas no mar, atirando em vão contra a escuridão.

— Despistamos eles por enquanto.

Jocelino olhou pelo retrovisor e confirmou que nenhum barco os seguia. A tensão em seus nervos diminuiu apenas um pouco, mas os movimentos de suas mãos não relaxaram em nenhum momento. A lancha continuava voando sobre o mar em altíssima velocidade.

— Décio, como está o seu ferimento?

Aeliana se virou imediatamente para olhar Décio, que estava pálido, escorado na borda, com um tom cheio de preocupação.

— Estou bem, não vou morrer.

Décio cerrou os dentes. Sua testa estava coberta de suor frio, mas ele continuava se esforçando para manter as aparências, tentando forçar um sorriso.

— É que... a bala talvez ainda esteja presa na carne, dói um pouco.

— Dra. Oliveira, aquela sua técnica oriental de estímulos... poderia usá-la para estancar o sangramento primeiro?

Jocelino falou com uma voz firme, sem sequer virar a cabeça.

— Fomos nós que te envolvemos nisso. Se não fosse para me salvar, vocês não teriam se metido nessa situação perigosa.

— Sr. Barreto, não precisa dizer essas coisas.

Décio balançou a cabeça com um olhar determinado.

— Estamos juntos nessa. Compartilhamos a vida e a morte, não há ninguém atrapalhando ninguém.

Ao observar os dois, Aeliana sentiu um calor no coração, mas, ao mesmo tempo, pensamentos complexos inundaram sua mente.

Apesar de terem conseguido escapar por sorte desta vez, Leonardo e as forças por trás dele jamais desistiriam tão fácil.

Ao retornarem para as outras áreas, os desafios que os aguardariam seriam, sem dúvida, muito mais severos.

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