O ar estava impregnado com um forte cheiro de maresia e mofo, e o som abafado das ondas batendo nas rochas ao longe ecoava incessantemente.
Amália estava dando à luz naquele lugar horrível?
Não havia sequer uma cama limpa, muito menos qualquer garantia de um ambiente esterilizado ou de higiene básica!
O coração de Leonardo afundou de repente, e uma onda de pânico, misturada com fúria e preocupação, tomou conta dele em um instante.
Aquela garota, Amália, havia sido mimada desde pequena; chorava horrores até para tomar uma simples injeção. E agora estava prestes a parir naquele lugar em ruínas!
Com condições tão precárias, e se ela contraísse uma infecção? E se houvesse complicações no parto?
Quanto mais Leonardo pensava, mais irritado e angustiado ficava.
A culpa era toda daquela desgraçada da Aeliana!
Se não fosse por ela, Amália estaria agora confortavelmente instalada no quarto VIP do Hospital Orquídea, desfrutando das melhores condições médicas e de enfermagem. Não precisaria passar por todo esse sofrimento!
— É logo ali dentro. A Srta. Aeliana Oliveira está ajudando no parto.
Décio assentiu, encarando Leonardo sem desviar o olhar.
— Portanto, Sr. Marques, pela segurança da sua filha e da sua neta, aconselho que o senhor mantenha a calma e espere pacientemente aqui fora.
— Afinal, se por causa da sua imprudência acontecer alguma coisa com a sua filha, o senhor vai se arrepender amargamente quando for tarde demais.
A expressão de Leonardo mudou drasticamente. A mão que segurava a arma tremia de leve, evidenciando a intensa luta interna que travava.
Ele encarou Décio fixamente, como se tentasse encontrar algum vestígio de mentira em seu rosto, mas a expressão de Décio permanecia impassível, com um olhar franco e sem qualquer sinal de culpa.
Inconscientemente, Leonardo olhou para a porta fechada do armazém. Lá de dentro, podiam-se ouvir pequenos ruídos abafados, como os gemidos contidos de uma mulher e...
O choro fraco de um bebê?
O coração de Leonardo apertou violentamente.
Amália era o seu único sangue. Se o que Décio dizia fosse verdade, forçar a entrada agora, com os sons de tiros e a confusão, com certeza assustaria Amália no meio do parto.
Ele virou um pouco o rosto e lançou um olhar significativo para Jocelino, insinuando que tudo estava sob controle e correndo bem.
Ao receber o sinal de Décio, Jocelino sentiu-se um pouco mais aliviado, embora a preocupação não tivesse desaparecido completamente.
Amália estava mesmo dando à luz neste momento? E era Aeliana quem estava fazendo o parto?
Como estaria a situação lá dentro agora?
Será que Aeliana havia recebido a mensagem?
Elas estavam seguras?
Jocelino olhou para a porta fechada do armazém com um olhar profundo, carregado de uma aflição e ansiedade quase imperceptíveis.
Mas ele sabia que não era o momento para agir precipitadamente. Precisava confiar nos planos de Aeliana e Décio.
Apesar de ter sido contido por enquanto, Leonardo continuava como uma fera enjaulada e inquieta, andando de um lado para o outro em frente ao armazém, lançando olhares ferozes para Décio e Jocelino de vez em quando, como se pudesse atacar a qualquer momento.

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