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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1657

A voz de Aeliana soou novamente. Amália trincou os dentes e mais uma vez reuniu a energia que lhe restava. Ao comando de Aeliana, ela usou todas as suas forças para empurrar para baixo.

— Um!

— Dois!

— Três!

— Força!

Com uma dor lacerante, Amália sentiu de repente um vazio lá embaixo, como se algo tivesse deslizado para fora de uma vez.

Em seguida, o choro de um bebê ecoou pelo armazém silencioso.

O choro parecia fraco naquele espaço amplo, mas era incrivelmente nítido. No início, soava fino, como o miado de um gatinho, mas logo se tornou alto, forte e cheio de uma enorme vitalidade.

— Uá! Uá!

Amália parecia ter perdido todos os ossos do corpo. Caiu completamente mole no chão, incapaz de mover um único dedo. Restou-lhe apenas o peito que subia e descia violentamente, ofegando sem parar. As lágrimas se misturavam ao suor, escorrendo por seu rosto.

Havia apenas um pensamento em sua mente.

Finalmente nasceu.

Amália moveu os olhos com dificuldade, tentando enxergar a criança:

— O... o bebê...

— Como está?...

Os movimentos de Aeliana não pararam por um segundo sequer.

Ela rapidamente usou a tesoura esterilizada para cortar o cordão umbilical, virou o recém-nascido de cabeça para baixo com habilidade e deu alguns tapinhas leves na sola do pé para garantir que as vias respiratórias estivessem desobstruídas. Depois, usou uma toalha limpa para envolver o pequeno corpo coberto de sangue e mecônio.

— Parabéns, é uma menina.

— Embora seja prematura, o choro é forte. Não deve haver grandes problemas.

Aeliana colocou o bebê enrolado ao lado de Amália, onde ela pudesse vê-lo com algum esforço.

A situação exigia uma intervenção imediata, caso contrário, Amália poderia sofrer uma hemorragia severa.

Naquele momento, a dor havia deixado Amália entorpecida. Ela apenas assentiu fracamente, sem forças sequer para falar, permitindo que Aeliana fizesse o necessário.

Aeliana respirou fundo, livrou-se de qualquer pensamento que pudesse distraí-la e focou totalmente nos primeiros socorros.

Seus movimentos eram ágeis e precisos; cada ponto foi feito com firmeza, minimizando a dor de Amália o máximo possível.

Dentro do espaço, só se ouvia o choro alto da bebê e os ocasionais gemidos abafados de dor que escapavam de Amália.

Não se sabe quanto tempo se passou até que, finalmente, Aeliana terminou a última sutura. Cortou a linha e soltou um longo suspiro de alívio.

Ela lançou um olhar para Amália, que havia desmaiado de extremo cansaço e perda de sangue, e em seguida olhou para a bebê, que havia se cansado de chorar e estava mais quieta. Seu olhar refletia uma grande complexidade de sentimentos.

A criança havia nascido em segurança e a vida de Amália fora poupada, pelo menos temporariamente. Mas... a verdadeira crise estava longe de terminar.

Aeliana olhou para o relógio de pulso. Faltava pouco para o horário que havia combinado com Leonardo.

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