Viu também o olhar de ódio de Marcelo Costa.
E conseguiu visualizar as caras dos chamados "parentes" da família Oliveira, que um dia a idolatraram, mas que hoje a tratavam como lixo descartável...
E tudo aquilo por culpa de Aeliana!
Todos eles amavam Aeliana! E a odiavam.
A quem ela devia o seu estado miserável de agora, senão a Aeliana?!
Por que estava fingindo misericórdia agora?!
Essa mulherzinha com certeza queria se aproveitar daquela oportunidade para assassiná-la!
Essa história de fazer o parto era tudo mentira!
O instinto de sobrevivência furioso e o pavor esmagaram qualquer pingo de sanidade. Amália soltou um berro agudo, agitando as mãos desordenadamente como alguém que estivesse se afogando, numa tentativa de afastar Aeliana.
— Não toque em mim!
— Suma daqui! Aeliana, sua bruxa peçonhenta!
— Sai de perto! O que você quer? Você quer me matar, não é?
— Se vai me matar, faça isso de uma vez! Pra que me torturar com esse fingimento descarado?!
— Vai embora!
Amália se debatia freneticamente, chutando as pernas e não colaborando com nenhum dos esforços de Aeliana.
As mãos de Aeliana foram estapeadas por Amália e, em meio ao caos, a jovem arranhou as costas de suas mãos até deixarem marcas ensanguentadas.
Ao observar a histeria escandalosa de Amália, a irritação que Aeliana havia reprimido à força pelo seu instinto de curadora veio à tona imediatamente.
Ela arriscou se expor para conseguir medicamentos e equipamentos a fim de salvá-la, chegando até a correr o risco de estragar o plano todo por causa disso, e, em vez de gratidão, Amália reagia feito um cachorro raivoso atacando todos à sua volta!
Aeliana endireitou a postura lentamente. Olhando de cima para a mulher que não parava de amaldiçoá-la, seu rosto não mostrava qualquer emoção, mas os seus olhos eram tão frios quanto um inverno rigoroso.
— E quando esse momento chegar, nem um milagre divino poderá te salvar.
Ela fez uma pausa, os olhos encontrando novamente o rosto de Amália, retorcido pelo terror. Os cantos da boca de Aeliana curvaram-se de leve num sorriso irônico.
— Se eu realmente quisesse a sua morte, bastaria ficar aqui em pé, assistindo, sem fazer nada.
— Em menos de meia hora, você entraria em choque hemorrágico, e seria o fim de duas vidas.
— Acha que eu precisaria me dar ao trabalho de mandar comprarem remédios e equipamentos médicos só para ficar fazendo teatro aqui, fingindo te torturar?
— Se você realmente está com tanta vontade de morrer, diga na minha cara que eu faço a sua vontade.
Essas palavras foram como um balde de água gelada despejado sobre a cabeça de Amália.
Seu corpo estremeceu violentamente, e a insanidade e o ressentimento nos seus olhos se apagaram instantaneamente, assim como uma vela soprada pelo vento.
A mente confusa se iluminou com uma clareza súbita.

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