Mas... isso só valia enquanto ela fosse obediente e útil.
Enquanto não tocasse nos interesses centrais dele.
Porém, Amália sabia muito bem.
Uma vez que envolvesse o verdadeiro benefício de Leonardo e os grandes planos que ele arquitetara por anos...
Ela não ousava pensar mais nisso.
Para ser franca, nem ela mesma sabia qual era o seu verdadeiro peso no coração de Leonardo.
Afinal, se ele realmente se importasse tanto com ela como filha, como teria tido coragem de mandá-la para a família Oliveira no passado, fazendo-a assumir a identidade de Aeliana?
Embora os membros da família Oliveira a tivessem tratado como um tesouro precioso durante todo aquele tempo, sem laços de sangue, tudo era uma ilusão.
Amália sentia que, talvez, aos olhos de Leonardo, ela fosse apenas uma peça de xadrez um pouco mais importante, apenas um "ventre de aluguel" para gerar herdeiros ou até mesmo para negociações de casamentos arranjados.
Mas e quanto a Jocelino?
Ele era o inimigo mortal que Leonardo e as forças por trás dele haviam planejado meticulosamente e pago um preço enorme para capturar; uma ameaça que jamais poderiam deixar escapar.
Usar ela, uma mera peça, para trocar por sua maior ameaça?
O corpo de Amália gelou, e seus dentes começaram a bater incontrolavelmente.
O que Leonardo escolheria?
A resposta... parecia óbvia demais.
— Não... ele não faria isso...
— Eu sou a filha dele! Eu carrego o neto dele no meu ventre! Ele não faria isso!
— Não vai...
Amália balançava a cabeça desesperadamente, como se tentasse convencer Aeliana, ou melhor, a si mesma. Contudo, o tremor e o desespero em sua voz traíam os seus verdadeiros pensamentos.
No entanto, quanto mais ela tentava se convencer, mais clara se tornava a resposta terrível no fundo do seu coração.
Um pavor gigantesco, como uma maré congelante, inundou instantaneamente toda a sua razão e suas falsas aparências.
Naquele momento, Aeliana percebeu a agitação de Amália.
Amália gritou, usando pés e mãos para se arrastar histericamente para trás, tentando se afastar de Aeliana como se a mulher fosse o próprio anjo da morte vindo buscar a sua alma.
— Eu não quero morrer!
— Por favor, me deixe em paz!
O pavor extremo e a desesperança a envolveram como uma rede invisível.
Ela sentiu seu coração bater tão rápido que parecia querer saltar do peito, enquanto a sua respiração se tornava curta e acelerada.
Foi então que Amália sentiu uma súbita e pesada sensação de pressão no baixo ventre, sem aviso prévio, como se algo estivesse cedendo descontroladamente.
Logo em seguida, a sensação se contraiu de forma abrupta, transformando-se em uma força brutal que retorceu tudo em seu interior.
O corpo da jovem ficou tenso no mesmo instante. Um suspiro curto escapou de sua garganta, mas qualquer outro som foi sufocado pela dor lancinante e repentina.
Suas mãos, por puro instinto, agarraram-se ao próprio ventre. As unhas cravaram-se na carne através do tecido da roupa, e as juntas dos seus dedos ficaram com um tom pálido e rígido devido à força excessiva.
O suor frio encharcou suas têmporas e suas costas em questão de segundos. Seu rosto perdeu até a última gota de cor numa velocidade alarmante, tornando-se acinzentado e quase translúcido.

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