— O que você quer? — Leonardo perguntou com rispidez, com os olhos cravados em Jocelino atrás das grades, como se quisesse despedaçá-lo.
— É muito simples.
Aeliana foi direta ao ponto:
— Eu quero que você solte o Jocelino.
— Assim que você liberar o Jocelino, eu poderei trocar Amália e o bebê que ela está esperando por ele.
— Uma troca simultânea. Um pelo outro.
— Você está sonhando!
Com as veias das têmporas saltando, Leonardo rugiu sem hesitar:
— Aeliana, você não tem escrúpulos! Atacar até uma mulher grávida!
— A Amália, pelo menos...
— Pelo menos, no papel, ela é sua irmã! É assim que você a trata?
Houve um instante de silêncio do outro lado da linha, seguido por um riso leve e carregado de sarcasmo.
Mesmo através do telefone, a frieza era palpável:
— Irmã?
— Sr. Marques, não acha ridículo que essas palavras saiam da sua boca?
— Eu, Aeliana, não tenho irmã nenhuma. Quanto ao motivo de Amália ter se tornado a 'filha dos Oliveira' e acabado nessa situação, acredito que você, Sr. Marques, saiba melhor do que ninguém.
Aquelas palavras foram como um espinho envenenado, cravando-se com precisão na ferida mais dolorosa e no segredo mais profundo de Leonardo.
Seu rosto mudou drasticamente. Ele desviou o olhar, lançando um rápido e inconsciente olhar para o Sr. Almeida e os outros policiais próximos, e gritou:
— O que você está inventando?!
— Vou lhe dar uma hora para pensar.
— Em uma hora, se eu não vir o Jocelino são e salvo no local que eu indicar, eu já não posso garantir o que acontecerá com a Amália.
— Lembre-se: sem gracinhas. Caso contrário, arque com as consequências.
Dito isso, Aeliana encerrou a chamada bruscamente, sem dar a Leonardo qualquer chance de barganhar ou rastrear o sinal.
O tom de chamada desligada ecoou pela silenciosa sala de detenção, soando particularmente irritante.
Leonardo permaneceu parado, apertando o celular. Seu rosto alternava entre o pálido e o vermelho escuro, e seu peito subia e descia violentamente. Ele estava no ápice de sua fúria, mas precisava forçar-se a contê-la.
Ele ergueu a cabeça bruscamente, com os olhos avermelhados fuzilando Jocelino atrás das grades. Aquele olhar parecia querer devorá-lo vivo.
Ao ouvir a ligação há pouco, Jocelino sentira-se comovido, mas também preocupado.
Contudo, ele não demonstrou nada em seu rosto. Em vez disso, recostou-se tranquilamente na parede, até mesmo desenhando um leve sorriso de interesse nos lábios, enquanto encarava o olhar assassino de Leonardo, como se estivesse apreciando um belo espetáculo.

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