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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1615

Por isso, o que a paralisava não era exatamente o medo do tapa, mas a incredulidade de que seu pai fosse capaz de bater nela por causa daquele golpista.

Qual parte do que ela tinha dito não era verdade?

A teimosia de Fabíola voltou com força.

Em vez de recuar, ela levantou ainda mais o rosto, mordeu os lábios e cravou os olhos vermelhos e furiosos nos do pai.

Se ele tivesse coragem, que batesse.

A mão do pai parou no ar. Ao ver o rosto desafiador da filha e o pescoço erguido com rigidez, como ele poderia desferir aquele golpe?

Seu peito subia e descia com violência. No fim, a mão desceu com força, apontando furiosamente para o nariz dela, numa demonstração de profunda decepção por vê-la incapaz de aprender a lição.

— Você... você é sempre assim!

— Não se arrepende de nada e ainda tem a audácia de apontar o dedo para os outros!

— Foi assim que eu te criei?

Mas Fabíola já não conseguia ouvir mais nada.

A única coisa que ecoava em sua cabeça era que o pai queria bater nela por causa daquele golpista.

Uma sensação imensa de injustiça, como fogo misturado com gelo, a engoliu por completo.

Aquilo a tornou incapaz de suportar mais um segundo sequer naquela sala de jantar sufocante.

— Sim! Eu sou impenitente mesmo!

Ao perceber que ele não ia bater nela, mas continuaria com o sermão, ela já não quis ouvir mais uma palavra.

Fabíola gritou a última frase entre soluços, virou-se de repente, e a cadeira, derrubada pelo movimento brusco, caiu com um estrondo.

Sem nem olhar para trás, como um bichinho ferido e furioso, cobriu a boca com as mãos e correu para fora da sala de jantar.

Ao ouvir o suspiro do pai, as costas tensas de Edivaldo relaxaram quase imperceptivelmente.

Ele ergueu os olhos furtivamente, observando o rosto cansado e tenso do pai, e sentiu uma ponta de pena.

Afinal, era seu pai, e ele já estava envelhecendo. Se realmente passasse mal de tanta raiva...

Engoliu em seco, deu meio passo à frente e tentou apaziguar a situação com cautela:

— Pai, acalme-se. Não leve tão a sério a atitude da Fabíola.

— Ela... ela sempre teve esse temperamento. Foi criada cercada de facilidades, e um tombo desse tamanho atingiu em cheio o orgulho dela. Ela está magoada, por isso falou sem pensar.

Edivaldo fez uma pausa, serviu um copo d’água e o empurrou para o pai.

— Quando ela terminar de chorar e a raiva passar, eu vou conversar com ela.

— Com o tempo... ela vai acabar entendendo.

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