Entrar Via

Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1611

— Ele é o Jocelino.

— O Jocelino do Grupo Barreto, do Vale Tropical.

Fabíola congelou por completo. A colher escorregou de sua mão e caiu na tigela com um tilintar metálico.

Seus ouvidos zumbiram. Com o rosto inexpressivo, ela parecia não ter entendido o significado daquele nome.

— Jocelino?

Fabíola repetiu o nome, incrédula. Sua mente ficou em branco por um instante.

Aquele Jocelino não era a lenda do mundo dos negócios, o magnata implacável do Vale Tropical?

Narciso era só um novo-rico sem refinamento.

Como ele poderia ser o “ceifador gelado”, conhecido pelos métodos cruéis e pela falta de empatia?

Eles não pareciam a mesma pessoa de jeito nenhum.

— Impossível...

Fabíola ouviu a própria voz sair seca e áspera, como se as palavras estivessem sendo arrancadas à força da garganta.

— Pai, não deve haver algum engano?

— Como alguém tão desajeitado quanto o Narciso poderia ser o Jocelino?!

— Desde quando o Jocelino teria aquela aparência?

— Pois é, quem diria, não é?

Edivaldo, que tinha permanecido em silêncio o tempo todo, falou devagar.

Ele largou a colher, e o som baixo soou irritante na sala de jantar absurdamente silenciosa.

Edivaldo olhou para Fabíola com o rosto inexpressivo, mas o leve tom de superioridade em sua voz espetava como pequenas agulhas.

— O famosíssimo Sr. Barreto deixou o império dele no Vale Tropical para vir de propósito à Vila das Nuvens Cinzentas, bancar o idiota e dar o bote. Com todo esse talento de ator e essa paciência toda, é uma pena que não faça cinema.

Na verdade, Edivaldo já guardava esse ressentimento havia muito tempo.

Desde o início, quando aquele Narciso surgiu com pose de grande figurão, ele já desconfiava de que havia algo errado.

— Só que você teimou em não me escutar.

— Olha no que deu. Aquele desgraçado tinha segundas intenções desde o começo. Ele só queria usar você e a família Saramago.

Fabíola já estava se sentindo ferida, e com Edivaldo fazendo comentários irônicos, pagando de sábio depois do ocorrido, seu sofrimento só aumentou.

Ela mordeu o lábio inferior com força. As unhas afundaram nas palmas das mãos. A ardência angustiante subiu da garganta de forma incontrolável, fazendo seus olhos marejarem.

Fabíola baixou a cabeça, fixando o olhar no bordado delicado da toalha de mesa, como se quisesse fazer um buraco nela com a força do olhar.

Edivaldo notou os ombros levemente trêmulos da irmã, e seu triunfo por poder dizer “eu avisei” logo se dissipou, como se tivesse levado um balde de água fria, restando apenas uma frustração amarga.

No fim das contas, ela ainda era a irmã caçula que ele viu crescer.

Edivaldo engoliu em seco. As palavras ainda mais duras que pretendia dizer ficaram presas na ponta da língua, mas ele acabou se contendo.

Ainda assim, não conseguia baixar totalmente a guarda; sentia que isso feriria seu orgulho.

Assim, desviou o olhar, deixando a voz soar intencionalmente ríspida, ainda como uma repreensão, mas sem a mesma agressividade de antes.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Despertar Depois dos 1460 dias