Felizmente, a antessala do banheiro onde estavam tinha pias.
Jocelino caminhou rápido até uma delas e, com a mão direita, abriu de imediato a torneira na parede.
— Shhh!
A água gelada jorrou com força.
Sem hesitar, Jocelino colocou o braço esquerdo ensanguentado sob o jato, deixando a água limpa lavar diretamente o ferimento.
O sangue logo se misturou ao fluxo e escorreu para o ralo, diluído e levado embora.
A dor forte e pulsante fez sua testa se franzir.
— Sr. Porto, não pode lavar assim! O ferimento precisa ser desinfetado e enfaixado!
O Sr. Lopes avançou com urgência e tentou estender a mão outra vez, chegando até a tentar fechar a torneira:
— Deixe-me ver. Eu tenho experiência com isso...
— Não é necessário!
A voz de Jocelino estava mais fria que a água. Ele usou o corpo para bloquear o espaço entre a pia e o Sr. Lopes, enquanto com a mão direita agarrava um pequeno rolo de papel-toalha áspero que estava sobre a bancada, arrancava várias folhas de uma vez e, aproveitando o fluxo de água, esfregava com força a pele ao redor do ferimento e o sangue que escorria.
Em poucos segundos, quase toda a sujeira e o sangue ao redor do corte já tinham sido lavados. Embora o ferimento ainda fosse visível e continuasse sangrando, já não parecia tão assustador quanto antes.
Só então Jocelino fechou a torneira e pressionou o corte com força usando os papéis molhados e ensanguentados para estancar o sangramento.
Ele se virou. A manga encharcada grudava no braço, e gotas de água misturadas a sangue diluído pingavam. Seu rosto estava um pouco pálido por causa da perda de sangue e da dor, mas o olhar seguia afiado como uma lâmina, apontado diretamente para o Sr. Lopes.
— Agradeço a boa vontade do Sr. Lopes.
A voz de Jocelino não era alta, mas cada palavra saía nítida e carregada de sarcasmo gelado:
— No entanto, acho que a sua habilidade de “ajudar” ainda precisa de um pouco mais de treino.
— Eu sou apenas um cidadão comum e meus ossos não são assim tão resistentes, mas ser “ajudado” pelo senhor e cair desse jeito...
Jocelino baixou os olhos para o próprio braço, que ainda sangrava, e depois voltou a encarar diretamente o Sr. Lopes, com um sorriso sem qualquer calor nos lábios.
— Splash!
O balde de plástico tombou com o impacto, e a água suja e acinzentada se espalhou instantaneamente, cobrindo todas as gotas frescas de sangue e as marcas d’água no chão, misturando tudo e contaminando os vestígios numa poça turva.
A água suja escorreu pelo piso, brilhando de forma oleosa sob a luz.
Jocelino fez tudo isso sem mudar de expressão, como se tivesse apenas afastado com o pé um obstáculo do caminho.
Recolheu a perna e ajeitou a gola da roupa, ligeiramente desalinhada pelo movimento, antes de erguer os olhos para o Sr. Lopes, agora lívido. Seu tom era monótono:
— Desculpe, me desequilibrei.
— Parece que o chão da delegacia de vocês também precisa de manutenção.
Com isso, até o último vestígio de evidência foi completamente destruído.
O Sr. Lopes olhou para a sujeira espalhada no chão, moveu os lábios como se quisesse dizer alguma coisa, mas no fim só lançou um olhar furioso para Jocelino e espremeu algumas palavras entre os dentes.

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