Como era possível que, sem nem meio dia desde a chegada de Leonardo à mansão, o aparelho tivesse parado completamente de funcionar?
Juntando essas duas informações, até um idiota entenderia o que estava acontecendo.
Aeliana apertou o comunicador com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos.
Leonardo tinha chegado e, logo em seguida, todo o sinal na área da mansão tinha sido completamente bloqueado. Aquilo não podia ser mera coincidência.
A única conclusão possível era que, assim que voltou, ele ativou um sistema de bloqueio cobrindo toda a propriedade.
E a potência desse bloqueio não era pouca coisa. O fato de conseguir barrar até um sinal via satélite mostrava o tamanho da desconfiança de Leonardo.
Mas por quê?
Para impedir interceptações externas?
Ou... o nível de alerta dele tinha chegado a tal ponto que ele precisava cortar totalmente qualquer comunicação entre o pessoal da mansão e o mundo exterior?
A impossibilidade de enviar a mensagem causou em Aeliana uma sensação esmagadora de angústia e impotência.
Se a informação não saía, significava que Jocelino e Wallace não faziam a menor ideia das reviravoltas recentes que tinham acabado de acontecer na Vila das Nuvens Cinzentas.
Só de pensar que eles talvez ainda estivessem agindo de acordo com o plano original, tratando Leonardo como o alvo final e ignorando o verdadeiro mandante escondido nas sombras, Aeliana sentia desespero.
Além disso, aquele chefão parecia já ter farejado os rastros deles e talvez até estivesse montando uma armadilha. A ansiedade começou a consumi-la por dentro como fogo.
E agora, o que fazer?
Lidar apenas com Leonardo já era difícil o bastante, com aquela mente calculista e aquela paranoia doentia. Agora ainda tinha surgido esse “senhor” diante de quem ele se curvava.
Os croupiers do turno da manhã já estavam em seus postos, limpando cuidadosamente as mesas de jogo com flanelas macias, dando ao feltro verde um brilho impecável.
A roda da roleta girou levemente, produzindo um estalo nítido e agradável antes de parar devagar.
As luzes das máquinas caça-níqueis se acenderam em sequência, soltando zumbidos graves, enquanto reflexos coloridos brilhavam sobre suas superfícies impecáveis.
Atrás do balcão, garçons de camisa branca e colete preto lustravam taças de vidro, que tilintavam suavemente ao se tocar.
Do fundo da cozinha vinham sons discretos da preparação dos petiscos e o chiado do vapor escapando das máquinas de café.
Todo o lugar parecia uma criatura gigantesca recém-desperta, espreguiçando-se de forma lenta e organizada antes de receber a multidão barulhenta que logo chegaria.
Jocelino estava sentado no escritório do segundo andar, com visão privilegiada de parte do salão. Pela fresta da janela entreaberta, todos aqueles ruídos suaves do andar de baixo chegavam aos seus ouvidos.

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