— Fique tranquila. Durante todo o seu tratamento aqui no hospital, a senhora será acompanhada e supervisionada pelos nossos próprios médicos. Os problemas que a senhora teme...
— Dra. Siqueira.
A Sra. Rodrigues a interrompeu, claramente irritada.
— Eu não estou debatendo isso com a senhora.
— A minha saúde deve ficar nas mãos da equipe em que eu mais confio, a mais experiente.
— Não quero nenhum fator de incerteza comprometendo a minha segurança ou a do meu bebê.
— Acha que estou exigindo demais?
Vendo a dra. Siqueira encurralada, pequenas gotas de suor começaram a surgir em sua testa.
Foi nesse momento de impasse que Aeliana, que até então permanecera em silêncio, deu um passo à frente e falou.
Sua voz não era alta, mas rompeu com clareza a tensão do quarto, atraindo instantaneamente a atenção de todos.
— Dra. Siqueira, eu entendo perfeitamente as preocupações da Sra. Rodrigues.
— Afinal, qualquer mãe diante de uma situação tão delicada quanto hipertensão no terceiro trimestre associada à restrição de crescimento fetal seria extremamente cautelosa e desejaria a maior segurança possível. Isso é natural e também faz parte do direito da paciente.
De forma inesperada, ela começou reconhecendo as preocupações da Sra. Rodrigues.
Seu rosto continuava sem qualquer emoção forte. Seus olhos calmos apenas encaravam o olhar impaciente e desdenhoso da mulher.
Isso pegou de surpresa tanto a Sra. Rodrigues quanto o dr. Lopes, que esperavam vê-la nervosa ou batendo de frente de imediato.
Mas logo em seguida, Aeliana mudou o tom da conversa. Sua voz continuava serena, mas carregava uma convicção firme.
— Dr. Lopes, é compreensível que a Sra. Rodrigues tenha exigências em relação à equipe que a acompanha. Mas quando o senhor afirma que eu tenho pouca experiência clínica e que sou adequada apenas para aprender o básico, em que se baseia para fazer essa avaliação?
— O senhor já analisou os meus registros cirúrgicos? Já avaliou casos complexos que eu tenha tratado? Ou está dizendo isso apenas porque eu venho do interior?
A voz de Aeliana era suave, mas cada palavra cortava como uma lâmina.
— Se o dr. Lopes tem dúvidas técnicas sobre a minha competência, podemos ter uma discussão aberta e objetiva sobre qualquer caso ou procedimento, quando o senhor quiser. Mas...
Seu tom esfriou de repente.
— Se isso se baseia apenas na minha origem, ou em suposições sem fundamento, e o senhor está usando uma paciente como pretexto para fazer insinuações e tentar excluir uma colega... então, me desculpe, isso não é discussão técnica. Isso é discriminação e boicote. E eu não vou aceitar.
— Quanto ao que a senhora disse sobre “as condições médicas do interior serem piores do que as da Vila das Nuvens Cinzentas”...
Aeliana voltou calmamente o olhar para a Sra. Rodrigues, com um leve toque de ironia na voz.

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