A enfermeira particular ao lado franziu os lábios em concordância.
Na equipe, o dr. Lopes, que já não simpatizava com Aeliana, esboçou um sorriso quase imperceptível, com a expressão de quem estava gostando do espetáculo.
Ele havia sido designado para ajudar na obstetrícia naquele dia. Já não tinha gostado daquela garota que entrou por indicação, mas não imaginava que veria uma cena tão interessante.
O rosto da dra. Siqueira mostrou um traço de constrangimento, e ela estava prestes a apaziguar a situação.
Mas a Sra. Rodrigues continuou:
— Dra. Siqueira, não é que eu não confie na organização do hospital. Mas, como a senhora sabe, o meu caso é extremamente delicado.
— O Eduardo já deixou bem claro que quer a melhor equipe médica possível cuidando de mim.
— Colocar uma... hum, “acadêmica visitante” do interior para acompanhar as visitas e ter acesso ao meu prontuário... a senhora acha isso apropriado?
Ela deu ênfase especial às palavras “acadêmica visitante do interior”, e o olhar com que avaliava Aeliana ficou ainda mais desdenhoso.
— E se houver algum erro, ou se alguma informação confidencial vazar...
Ela fez uma pausa carregada de insinuação.
— Vocês poderiam se responsabilizar por isso?
— Acho melhor que, daqui para a frente, essa dra. Porto se retire quando forem me atender.
Aquelas palavras foram extremamente rudes.
A atmosfera no quarto ficou imediatamente tensa.
Algumas enfermeiras trocaram olhares. Umas acharam que a Sra. Rodrigues estava exagerando; outras concordavam que uma acadêmica visitante realmente não deveria lidar com uma paciente tão importante.
Ele enfatizou “recomendada pessoalmente pelo Sr. Gomes” e “atenção especial da diretoria” de forma lenta e pesada, como se quisesse destacar um privilégio silencioso, e então suspirou com falsa compreensão.
— Então, em termos de experiência clínica... ela realmente ainda precisa estudar e acumular mais prática. Não há o que fazer. Afinal, é jovem e veio para cá justamente para treinar.
O dr. Lopes voltou-se para a Sra. Rodrigues com um sorriso compreensivo no rosto.
— Claro, Sra. Rodrigues, eu entendo perfeitamente as suas preocupações. Privacidade e segurança dos pacientes VIP são, sem dúvida, a nossa maior prioridade. Não podemos cometer o menor descuido.
Então, como se acabasse de se lembrar de Nadine, ele “sugeriu” em tom quase caridoso, mas repleto de insinuação:
— Dra. Porto, o que você acha?
— Que tal esperar um pouco lá fora? Ou, melhor ainda, você pode ir acompanhar as enfermarias comuns lá embaixo. Os casos lá são mais simples, e os procedimentos também são mais básicos. Talvez... seja mais adequado para o seu estágio atual, para ganhar base e avançar passo a passo. Não acha?

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