Naquele exato momento, Aeliana já estava sentada no trem expresso.
O trem partiu, transformando a paisagem urbana numa faixa borrada de cores. Aeliana recostou-se no banco. Pela janela, passavam os pilares cinzentos dos viadutos, os telhados desordenados do centro antigo e, de vez em quando, lampejos do verde vivo dos bairros mais afastados.
A temperatura do ar-condicionado estava agradável, e a voz suave dos anúncios parecia pertencer a um mundo completamente diferente da tensão e da perseguição de minutos antes.
Meia hora depois, o trem desacelerou e entrou na Estação Vale Verde, na Vila das Nuvens Cinzentas.
O fluxo de pessoas voltou a se adensar e depois se dispersou.
Aeliana saiu com a multidão, e uma onda de calor misturada à brisa levemente salgada típica da cidade atingiu seu rosto.
Ela chamou um táxi e entrou.
O carro passou por um centro comercial movimentado, atravessou uma área densa de prédios altos e, por fim, chegou a um bairro relativamente tranquilo.
O Centro Médico Serra Verde ficava ali, cercado por vários edifícios modernos de linhas limpas e por um jardim central. A grande fachada de vidro do prédio principal refletia o céu azul e as nuvens brancas, transmitindo uma imagem de limpeza e eficiência.
Na entrada do pronto-atendimento, carros chegavam e saíam em ordem. Funcionários de uniforme azul-claro empurravam lentamente pacientes em cadeiras de rodas, enquanto médicos de jaleco branco circulavam apressados.
Perto dos arbustos bem podados, alguns pacientes de roupa hospitalar tomavam sol, acompanhados dos familiares.
Aeliana abriu a porta do táxi e pisou no asfalto liso, ainda levemente aquecido pelo sol.
Parou por um instante, deixou o olhar passar pelas letras metálicas elegantes que formavam o nome “Centro Médico Serra Verde” e então baixou os olhos com naturalidade.
Através das portas automáticas de vidro, observou o saguão amplo, claro e movimentado, as placas de sinalização perto da entrada giratória e a guarita de segurança próxima à saída do estacionamento.
O Sr. Almeida estendeu a mão com um sorriso caloroso e uma familiaridade quase excessiva.
— O Sr. Gomes já havia nos avisado, dizendo que sua aluna mais brilhante viria para um intercâmbio. Ele fez questão de pedir várias vezes que organizássemos tudo da melhor forma para os seus estudos e estadia. Estávamos esperando ansiosamente pela sua chegada.
O jovem assistente, que permanecia calado ao lado do vice-diretor, lançou um olhar discreto para a “dra. Porto” à sua frente.
Nadine parecia pouco habituada àquele tipo de recepção. Ao ouvir aquelas palavras tão calorosas, abaixou um pouco a cabeça, meio constrangida, evitando encarar diretamente o entusiasmo do Sr. Almeida.
O assistente percebeu que, embora aquela dra. Porto fosse a última discípula do renomado Victor Gomes, não carregava a arrogância típica de quem chega por indicação.
Ela vestia um conjunto cinza-claro de corte clássico e simples, sem enfeites excessivos, perfeitamente alinhado, com um ar de rigor quase meticuloso.
Os cabelos longos estavam presos num coque baixo e impecável, sem um fio fora do lugar, revelando a testa limpa e o pescoço claro e delicado.

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