Aeliana agora era a salvadora da Thelxinoe do Litoral, e, sendo uma mulher sozinha na rua tarde da noite, era dever dele garantir sua segurança.
Aeliana hesitou por um segundo e balançou a cabeça:
— Agradeço a gentileza, Sr. Barreiros, mas não precisa. Posso voltar sozinha.
Raimundo franziu a testa:
— Dra. Porto, a Vila das Nuvens Cinzentas não é exatamente o lugar mais seguro à noite. Uma mulher sozinha, sendo uma convidada de honra da família Barreiros... como eu poderia ficar tranquilo se algo acontecesse?
Aeliana olhou-o nos olhos e disse:
— Realmente não é necessário. Tenho meus próprios arranjos e estou acostumada a andar sozinha.
Ela fez uma pausa e acrescentou, com um significado implícito:
— Além disso, o Sr. Barreiros deveria ficar ao lado de Cláudia neste momento. Ela acabou de acordar e precisa da presença da família. Eu me viro bem.
O argumento dela era totalmente razoável. Mais importante ainda, Aeliana não podia deixar o carro da Thelxinoe do Litoral levá-la até o destino.
Sua identidade pública no momento era a Sra. Porto, hospedada em um hotel específico. Se fosse escoltada pelos homens de Raimundo e vista por funcionários do cassino ou por outras pessoas atentas, seria muito fácil ligar as identidades de Dra. Porto e Sra. Porto, correndo até o risco de expor sua ligação com Jocelino. O risco era alto demais.
Raimundo olhou para ela. Vendo que estava decidida e não fazia cerimônia, e lembrando-se de suas habilidades quase sobrenaturais e da calma fora do comum, pensou que talvez essa Dra. Porto realmente tivesse seus próprios contatos e suas próprias razões, e simplesmente não gostasse que os outros interferissem em seus movimentos.
Insistir demais não seria elegante.
Ele ponderou por um momento e finalmente deixou de insistir, mas avisou em tom sério:
— Sendo assim, peço que tome muito cuidado, Dra. Porto. Existem alguns cantos na Vila das Nuvens Cinzentas onde a minha palavra não vale tanto assim.
Raimundo ficou parado no portão, observando a figura esguia, mas ereta, carregando a maleta. Ela logo se fundiu nas sombras da rua lá fora e, após virar algumas esquinas, desapareceu como se nunca tivesse estado ali.
Ele continuou parado, acendeu outro cigarro e tragou profundamente. Em meio à fumaça, acariciou a ferida cicatrizada na palma da mão, com um olhar pensativo. Essa Dra. Porto... era cheia de mistérios. Mas, contanto que salvasse sua mãe, o resto não importava por enquanto.
Ele se virou e caminhou a passos largos de volta para a casa. Agora, precisava ficar ao lado da mãe.
Aeliana desceu do táxi em um cruzamento a duas quadras de seu hotel.
A noite já estava escura, a luz dos postes era fraca e havia poucos pedestres.
Segurando a maleta, ela caminhou em ritmo tranquilo em direção a um beco na lateral do hotel.
Quando partiu para a sede da Thelxinoe do Litoral, Aeliana havia estudado o local com antecedência. Aquele beco era cheio de curvas, espremido por prédios velhos dos dois lados. Mesmo de dia, era difícil a luz do sol chegar ao fundo, e à noite ficava ainda mais silencioso. Além disso, havia poucas câmeras ali, com vários pontos cegos nas esquinas, o que facilitava que ela se desfizesse do disfarce.

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