Entrar Via

Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1315

Raimundo a observou por alguns segundos.

Aquela mulher era incrivelmente segura. Suas palavras eram cautelosas, mas seu olhar permanecia inabalável. Ele precisava de alguém que acordasse sua mãe, mas também precisava testar a capacidade daquela profissional.

— Combinado.

Ele se levantou, projetando uma sombra densa à luz fraca.

— Então, por favor, Dra. Porto, dê uma olhada no meu aliado primeiro.

Ele virou de lado e fez um gesto em direção ao biombo.

Aeliana assentiu, sem hesitar. Guardou a fina agulha de volta no estojo de couro, fechou com cuidado e o colocou na maleta.

Em seguida, pegou a bolsa de vime gasta, apertando a alça levemente.

Ela seguiu Raimundo, contornando o pesado biombo de madeira esculpida.

Em um divã baixo, um homem robusto estava encolhido, o corpo encharcado de suor frio.

Ele apertava os dentes com força, veias saltavam em sua testa. As ataduras em torno de suas costelas já estavam manchadas com um líquido escuro e amarelado, exalando um forte cheiro de podridão e sangue.

O homem tremia incontrolavelmente devido à dor. Seu olhar estava desfocado e ele soltava arquejos roucos e inconscientes, mal parecendo um ser humano.

O forte odor metálico misturado ao cheiro da ferida infectada tomou conta do ambiente.

Os passos de Aeliana pararam de forma quase imperceptível, mas seu rosto não mudou. Ela se aproximou do divã e pousou a maleta.

Raimundo parou a dois passos dela, em silêncio, apenas observando.

Aeliana não tocou imediatamente no ferimento. Em vez disso, inclinou-se para avaliar o rosto e as pupilas do homem, além de examinar com mais atenção o odor da lesão. Sua sobrancelha teve um leve tremor.

Era um machucado antigo que não havia sido totalmente limpo. O tecido apodreceu por dentro e, devido à agitação física recente, a infecção piorou drasticamente, causando forte inflamação, febre alta e intensificando a dor.

Se não fosse tratado logo, ele poderia perder aquele braço, ou até a própria vida.

Após expor o metal rapidamente ao fogo para esterilizá-lo, deslizou os dedos pelo comprimento com agilidade e focou seu olhar calmo em áreas específicas do peito do homem.

— Segurem-no com firmeza. Não o deixem se mexer — ordenou sem sequer levantar a cabeça, dirigindo-se a um dos seguranças.

O guarda olhou para Raimundo, que apenas concordou com um aceno.

Dois homens imediatamente avançaram, pressionando os ombros do ferido com força, mas com cuidado.

Aeliana agiu.

A aplicação foi rápida demais para os olhos acompanharem.

A primeira agulha cravou-se diretamente num ponto central e vital no peito, entrando cerca de um terço de sua extensão.

O homem robusto, que mal tinha consciência por causa da dor, puxou o ar num susto, o corpo sofrendo um tremor violento. No entanto, sua respiração ofegante pareceu se acalmar um pouco em seguida.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Despertar Depois dos 1460 dias