— E-este senhor está brincando... E-eu e a minha esposa viemos apenas para dar uma olhada, n-não entendemos muito disso...
A voz daquele ricaço soou ainda mais alta, carregada de um sarcasmo indisfarçável:
— Não entendem? Se não entendem, por que trouxe a sua esposa doente para um lugar como este? Para que fingir pureza? Se estão na nossa roda e não vão apostar, vieram assistir a quê? Ou será que... a coragem do Sr. Porto é como a saúde da sua esposa, que qualquer brisa já derruba?
— Você...!
Jocelino pareceu ter sido provocado por aquelas palavras. O seu rosto avermelhou-se, mas ele não ousou expressar a sua raiva, limitando-se a abraçar Aeliana com mais força em seus braços.
Aeliana, de forma oportuna, soltou um soluço mais pesado e escondeu o rosto completamente no peito de Jocelino. Os seus ombros tremiam levemente, como se não suportasse a dupla agressão daquele insulto e da cena ao seu redor.
Vendo a postura dos dois, o ricaço ficou ainda mais presunçoso e implacável:
— O que foi? Acertei em cheio? Sr. Lopes, não acha que já passou da hora de aumentar o nível de exigência deste "Cassino Serra Nobre"? Deixar qualquer Zé Ninguém entrar só estraga a diversão de todo mundo!
O peito de Jocelino subia e descia, como se tivesse sido encurralado. Ele ergueu a cabeça bruscamente em direção ao comunicador, com a voz ligeiramente distorcida pela agitação e pelo nervosismo:
— Q-quem disse que eu tenho medo?! S-se é para apostar, eu aposto!
Como se estivesse agindo por birra, ele sequer olhou para os dois homens de olhares vazios lá embaixo e apontou de qualquer jeito:
— E-eu aposto no da direita! Quinhentos mil!
O ricaço zombou com desdém:
— Ora, vai ter a audácia de apostar mesmo? Quinhentos mil? Essa quantia do Sr. Porto está muito longe daquela de quando comprou as joias! Mas tudo bem, o que vier é lucro. Eu aposto no da esquerda, um milhão! Vamos ver se a "sorte" do Sr. Porto ainda está de pé, ou se o meu olhar é que é afiado!
Algumas risadas baixas ecoaram dos outros camarotes. Era evidente que todos estavam apenas apreciando o espetáculo.
Na arena, os dois homens, semelhantes a feras acuadas jogadas em um abismo, iniciaram o combate mais primitivo e sangrento de todos.
O homem ligeiramente mais robusto à esquerda desferiu o primeiro ataque. Com um rosnado baixo, ele brandiu a faca curta e enferrujada, cambaleando em direção ao oponente.
A lâmina desceu cortando o ar. O homem à direita, com o olhar ainda mais entorpecido, esquivou-se a muito custo, e o fio da faca raspou pelas suas costelas, arrancando uma trilha de sangue e farrapos de tecido.
A dor excruciante pareceu estimular a brutalidade do homem à direita. Um brilho cruel irrompeu em seus olhos turvos e, em vez de se esquivar, ele lançou o próprio corpo à frente, chocando o ombro com violência contra o peito do adversário!
Os dois rolaram no chão imediatamente, atracando-se em uma luta corporal.
A faca enferrujada caiu durante o embate. Passaram, então, a usar os punhos, os cotovelos, os dentes, destroçando um ao outro com qualquer parte do corpo capaz de atacar.
O homem à esquerda, valendo-se da sua força bruta, prendeu o homem à direita debaixo de si. Os seus punhos desciam como uma tempestade contra o rosto do oponente. O estalo seco do osso do nariz se quebrando causava arrepios, e o sangue logo cobriu a face de ambos.

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