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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1279

Seu porte descomunal desabou contra o chão sujo e gélido com um baque surdo, completamente mole.

Seus membros sofreram espasmos involuntários e ele deu alguns chutes fracos, espirrando respingos de sangue, até que ficou completamente flácido e inerte.

Restava apenas o corte pavoroso na lateral do pescoço, de onde jorrava um sangue espesso e quente, formando uma poça de um vermelho escuro que se expandia rapidamente pelo chão.

O Leopardo soltou a presa e aterrissou suavemente a uma curta distância, com um pedaço disforme de carne ensanguentada pendurado na boca.

Arfando pesadamente, o felino manteve os olhos de âmbar cravados em sua caça imóvel. Com os pelos das costas eriçados, emitiu um rosnado baixo, como se estivesse se certificando de que a ameaça fora, de fato, erradicada.

O animal também estava coberto de feridas. O sangue escorria por sua pelagem magnífica e se misturava à sujeira do chão da arena.

Nos camarotes logo acima, o silêncio lúgubre deu lugar a comemorações contidas, porém frenéticas, e a xingamentos raivosos de quem havia perdido dinheiro.

— Porra! Que inútil! Esse tamanho todo para nada! — Uma voz irritada gritou do camarote posicionado na diagonal.

— Hahaha! Ganhei! Eu não disse que o Leopardo era melhor?

— Tsc, sem graça. Acabou muito rápido. Na próxima, tragam um que aguente mais pancada.

— Qual é, a graça é justamente essa emoção. A próxima luta, "Batalha de Feras Encurraladas", vai começar logo. Façam suas apostas!

Os garçons moviam-se furtivamente pelo ambiente, confirmando as perdas e os lucros em seus comunicadores. O som eletrônico da contabilidade das fichas ecoou discretamente por alguns dos recintos.

Ninguém dedicou um pingo de atenção ao cadáver que esfriava no andar inferior. Para eles, não passava de um brinquedo quebrado e decepcionante.

Excitação, frustração, impaciência, expectativa pela próxima rodada... Um turbilhão de emoções tomava conta dos camarotes, mas nenhuma delas se assemelhava a compaixão pela perda de uma vida humana.

O odor de sangue prosseguia exalando silenciosamente da jaula, enquanto os murmúrios no camarote já haviam se redirecionado para o jogo seguinte.

Naquele lugar, o valor de uma vida humana era tão trivial que pesava menos que uma simples pilha de fichas de cassino.

Mais uma vez, o barulho miúdo das transações voltou a tomar conta do camarote.

— O da esquerda parece mais forte. Tem bastantes cicatrizes também, é experiente. Um milhão nele.

— O da direita tem um olhar cruel. Eu o vi ganhar uma luta da última vez. Um milhão e meio.

— O que tem de bom para apostar aí? São dois lixos prestes a apodrecer. Coloque qualquer quantia, uns duzentos e cinquenta mil no da direita, só pela diversão.

Quando a violenta "Batalha de Feras Encurraladas" estava prestes a iniciar, os dois homens foram guiados para o interior das grades.

Enquanto o ruído rasteiro das apostas circulava pelas salas novamente, Narciso mantinha a Sra. Porto apertada em seus braços de forma acolhedora, amparando-a do susto.

Com o rosto levemente inclinado e a boca perto da orelha dela, ele parecia consolá-la em sussurros. A sua expressão era doce e atenciosa, interpretando perfeitamente a imagem da esposa atormentada sendo afagada pelo marido cuidadoso.

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