Sendo assim, naquela mesma noite, Narciso levou a Sra. Porto de volta ao Cassino Safira Azul.
Porém, dessa vez, eles não foram para os salões de jogos comuns. Guiados por um garçom taciturno, atravessaram corredores ainda mais ocultos e passaram por diversas portas secretas que exigiam códigos especiais, até chegarem a uma área restrita e profunda no subsolo.
A atmosfera ali era completamente diferente da dos andares superiores. O ambiente era opressivo e o ar estava impregnado por uma mistura peculiar e sutil de sangue e desinfetante.
Eles foram conduzidos a um pequeno camarote circular, isolado dos demais por vidros espelhados. Do local, só era possível observar, logo abaixo, um espaço fechado e rebaixado, semelhante a uma arena de gladiadores da Roma Antiga.
A iluminação no interior do camarote era tênue. Apenas alguns assentos exibiam luzes indicativas fracas, sinalizando que outros convidados já haviam chegado.
Após servir as bebidas e os petiscos, o garçom recuou silenciosamente para as sombras no canto do recinto, permanecendo imóvel como uma estátua.
Narciso ajudou a Sra. Porto a se sentar com extrema cortesia, acomodando-se ao lado dela, exibindo uma postura de marido zeloso e protetor.
Em seu rosto, ele usava óculos de aros dourados para ocultar o olhar, o que lhe conferia um certo ar de novo-rico. Na parte interna de uma das hastes, uma luz azul quase imperceptível piscou rapidamente.
De repente, os holofotes se concentraram na arena rebaixada. A luz pálida e ofuscante iluminou cada barra da jaula de ferro no centro do espaço.
Não houve discursos de abertura, nem apresentações.
Uma pesada porta oculta, em um dos lados da jaula, deslizou abrindo-se com um estrondo.
O primeiro a sair foi um homem.
Ou, pelo menos, algo que um dia fora humano.
Guepardo pareceu se enfurecer com a provocação do Leopardo. Soltando um urro, ele avançou bruscamente. As correntes pesadas arrastavam-se pelo chão, produzindo um ruído metálico e estridente.
O Leopardo saltou ágil para o lado, esquivando-se da investida desajeitada. Ao mesmo tempo, desferiu um golpe veloz com as garras, abrindo sulcos profundos e sangrentos nas costas musculosas de Guepardo.
O sangue jorrou de imediato, uma visão chocante sob a luz cadavérica da arena.
Aparentando não sentir dor, Guepardo girou o corpo com uma velocidade ainda maior que a anterior e tentou agarrar a fera com suas mãos colossais, cortando o ar com violência.
O Leopardo esquivou-se novamente, mas, devido ao espaço restrito da jaula, não conseguiu escapar por completo. Os dedos de Guepardo rasparam na pata traseira do felino, arrancando um tufo de pelos ensanguentados.
Sentindo a dor, o Leopardo teve seu instinto assassino totalmente despertado. Soltou um rugido estridente e, em vez de recuar, lançou-se pelo ar, mirando as mandíbulas diretamente na garganta de Guepardo!

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