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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1268

— Mandei verificarem o hotel e os registros de gastos deles. — Interveio outro homem. — O dinheiro parece limpo, os lucros das minas e das plantações no país A confirmam a história de novos-ricos. Mas aquela sorte na mesa de apostas... foi um pouco bizarra. O Leôncio voltou ontem à noite com uma cara péssima, dizendo que não conseguiu decifrar a estratégia deles.

— Não ter uma estratégia previsível é a melhor estratégia. Vamos ver o que acontece no fim de semana. Se são peixes grandes ou sardinhas, a verdade virá à tona quando sentarem na mesa do Horácio.

No beco atrás do cassino, o turno dos capangas fumantes havia trocado. Os dois recém-chegados conversavam enquanto soltavam baforadas de fumaça.

— Ouviu a novidade? Nem o Leôncio conseguiu lidar com os caipiras do país A ontem à noite!

— Não foi só isso, disseram que o próprio Horácio se meteu no meio! O jogo do fim de semana é só para ele avaliar a situação de perto!

— Caramba... de onde essa família saiu? Eles nem parecem tão durões assim.

— Você não entende nada! Gente assim é a mais assustadora! Enfim, o Caio deu ordens para ficarmos de olho vivo neles esses dias, mas sem espantá-los. Principalmente a esposa doente e aquele velho rabugento. Não podemos cometer um único erro!

— Entendido!

Em uma loja de conveniência na esquina, um homem usando um boné comprou um maço de cigarros. Ao sair da loja, ele falou baixinho em direção ao punho da camisa:

— Os três alvos estão no hotel, não saíram. Almoçaram no restaurante ocidental do hotel. Nenhuma anormalidade. Continuarei monitorando.

— Recebido. Mantenha distância.

Todos os olhares, ocultos ou evidentes, e os murmúrios incessantes agiam como uma rede que se fechava aos poucos ao redor da família de Narciso.

O escritório principal estava no escuro, iluminado apenas pelo brilho amarelado de uma luminária antiga de mesa, que delineava a silhueta de um homem sentado em uma imponente cadeira de couro.

Ele estava de costas para a porta, encarando a escuridão através da janela panorâmica e as luzes esparsas dos barcos pesqueiros no mar. Segurava um charuto entre os dedos, cuja fumaça fina tornava as suas feições austeras ainda mais enigmáticas.

Alguém bateu suavemente na porta.

— Entre. — A voz do homem não era alta, mas carregava a tranquilidade de alguém acostumado a liderar, gerando uma pressão indescritível no ambiente.

Um sujeito de terno preto e porte atlético entrou sem fazer barulho e parou a alguns passos da mesa, com os braços abaixados.

— Senhor, recebemos notícias do continente. Nos últimos dias, a rotina de Jocelino e Aeliana continuou normal. O Grupo Barreto opera sem problemas, e Aeliana foi vista no laboratório e junto da família Barreto. Nossos espiões confirmaram que não há nenhum registro de viagem suspeito e que eles ainda devem estar no Sítio das Colinas Azuis.

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