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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1260

E logo de seguida pegou mesmo numa pilha de fichas e apostou na direção oposta à indicada pelo sujeito gordo. "Zeno" arregalou os olhos ao seu lado, querendo impedi-lo, mas parecendo não querer criar uma cena.

O crupiê era uma jovem inexpressiva, que distribuía as cartas com enorme destreza.

Os dois revelaram as cartas simultaneamente.

O homem gordo perdeu mais uma vez, enquanto o lado no qual "Narciso" apostara se sagrou vencedor.

"Narciso" deixou escapar uma expressão de surpresa agradável, apressando-se desajeitadamente a recolher as fichas vitoriosas.

— Olá! Eu realmente ganhei!

O rosto do gordo fechou-se ainda mais e ele resmungou com desdém.

— Acertou por pura sorte.

Nas jogadas que se seguiram, "Narciso" pareceu ter descoberto o "segredo", ignorando por completo as "dicas absurdas" que "Zeno" lhe tentava impor.

Vendo que o genro sempre obediente ousava agora contrariá-lo e ignorar os seus conselhos, "Zeno" ficou ainda mais furioso.

Toda vez que "Narciso" colocava as fichas na mesa, ele não parava de mandar indiretas maldosas ao seu lado.

— Aposta na banca! Na banca! Droga, lá vai você apostar no jogador de novo! Já lhe disse para analisar as tendências! Será que você não entende nada?

"Narciso" tampouco dava ouvidos às "sugestões", fossem elas bem-intencionadas ou não, dos outros apostadores. Ele simplesmente colocava o dinheiro ao acaso, seguindo apenas os seus próprios instintos.

Como resultado, o volume das suas fichas diminuiu a uma velocidade impressionante; quantias exorbitantes esfumavam-se pelo ralo a cada aposta.

"Zeno" começou a bater os pés em desespero, fazendo a bengala ressoar contra o piso. O seu rosto ficou completamente avermelhado de raiva.

— Esbanjador! Desperdício de dinheiro! Como é que a minha família Oliveira acabou amaldiçoada com um genro como você? Selena! Olhe para ele! É assim que se atira dinheiro ao lixo?

A "Sra. Porto", sentada não muito longe, ficou com o semblante ainda mais pálido. Fez menção de se levantar, mas recaiu na cadeira, sem forças, sendo capaz apenas de chamar de forma ansiosa, num sussurro.

No segundo andar do estabelecimento, atrás de uma parede de vidro espelhado unilateral, o gerente Caio Lopes, apelidado por todos, pelas costas, de "Falso", repousava com o seu copo de bebida na mão, deliciando-se com a cena projetada pelos monitores de vigilância.

Um capanga, posicionado ao seu lado, murmurou.

— Caio, parece que dessa vez o alvo é graúdo, e tem o cérebro de ervilha. O dinheiro vivo que ele trouxe para trocar somou cerca de cinco milhões em fichas, e a esta altura ele já jogou fora quase metade de tudo isso.

Caio deu um pequeno gole na bebida e abriu um sorriso.

— Sem pressa. Vamos continuar a observar.

No andar inferior, a pilha de fichas em frente a "Narciso" estava quase a evaporar de vez. Gotas finas de suor despontavam da sua testa e o homem assumia ares de pânico e arrependimento.

No momento exato em que ele trincou os dentes e se preparava para empurrar as suas derradeiras fichas graúdas na esperança de "salvar o jogo", "Zeno" segurou-lhe a mão com força e gritou furioso.

— Ainda quer apostar? Se perder nesta rodada, você ficará sem absolutamente nada!

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