Ele entregou um bloco de notas do hotel.
Foi apenas quando os três saíram que a loja recuperou a sua atmosfera "normal". A garota do casal jovem finalmente não aguentou e soltou uma gargalhada.
— Minha nossa, de que circo saiu essa família de comediantes? Nem sei o que aquele caipira rico viu na esposa para ter a coragem de aturar um sogro tão insuportável. Aquele tal de Wallace não ficou satisfeito com absolutamente nada desde o momento em que entrou, e a mulher dele parecia tão fraca e submissa. Não sei se o sujeito é realmente rico ou apenas um grande idiota.
O namorado balançou a cabeça.
— É o clássico caso do trouxa cheio de dinheiro fácil. Mas também não fale assim da esposa. A pobre coitada parecia doente e deu pena, quase não abriu a boca o tempo todo e nem pôde comprar o que realmente gostava. Tudo foi decidido pelo gosto peculiar do Wallace.
Ada, responsável pelo atendimento, orientava os funcionários na contagem dos produtos para a entrega enquanto sussurrava para a sua assistente ao lado.
— Anotaram o endereço que eles acabaram de dar? Prestem muita atenção, embalem tudo com o máximo de cuidado e organizem de forma impecável. Não admito qualquer erro.
Com a quantia astronômica que os três haviam gasto naquele dia, eles já poderiam ser considerados clientes VIP da loja de forma automática. Qualquer negligência seria fatal; se ela os ofendesse, poderia dar adeus ao seu cargo de gerente.
A assistente assentiu e, ao olhar para a longa sequência de números na fatura, não conseguiu evitar um estalo de língua de puro assombro. Aquela família era, sem dúvida, inesquecível.
Enquanto isso, do lado de fora da loja, a expressão amarga no rosto de Wallace desapareceu num piscar de olhos, e o seu olhar afiado varreu a esquina da rua.
Jocelino já não andava com a postura encurvada e subserviente, limitando-se a proteger Aeliana cuidadosamente para desviar da multidão. Aeliana endireitou as costas ligeiramente; embora o seu rosto permanecesse pálido, o seu olhar era lúcido e perspicaz.
Aquela cena de compras exagerada nada mais era do que mais uma pedra atirada nas correntes ocultas da Vila das Nuvens Cinzentas. Eles estavam apenas a aguardar que os verdadeiros peixes fossem atraídos pela isca do "trouxa cheio de dinheiro" e viessem à superfície por vontade própria.
E as notícias, como era de se esperar, chegaram aos ouvidos de certos líderes do submundo local.
Naquela mesma noite, graças à recomendação "entusiasmada" de um intermediário local, "Narciso" e os seus dois acompanhantes acabaram por entrar num cassino clandestino, localizado no subsolo de um bairro remoto. O local exibia uma decoração luxuosa, mas emanava uma atmosfera sinistra e sombria.
O interior do cassino estava encoberto por fumaça densa, e o som constante do tilintar das fichas ecoava por todo o lado.
Havia todo tipo de gente misturada ali; desde ricaços impecavelmente vestidos até criminosos perigosos com olhares ameaçadores.
Jocelino parecia dividido entre a curiosidade e o medo daquele ambiente. Instigado pelo seu "sogro" e puxado de forma nervosa pela sua "esposa", acabou por trocar algum dinheiro por fichas com certa relutância.

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