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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1246

Aeliana olhou para ele em silêncio por alguns segundos e, em seguida, perguntou com um tom sereno:

— Sr. Costa, quando você fez aquelas coisas, em algum momento, você pensou na sua família? Pensou que seus filhos e sua esposa poderiam acabar em uma situação terrível por causa das suas escolhas? Não acha que é um pouco tarde para perguntar isso agora?

Gervásio estremeceu violentamente, e o último vestígio de cor desapareceu do seu rosto.

Ele abriu a boca, mas não conseguiu emitir nenhum som; apenas lágrimas turvas rolaram de seus olhos sem aviso.

Aeliana desviou o olhar, virou-se e, junto com Jocelino, deixou a sala de visitas sem olhar para trás.

O corredor estava vazio, e o som dos passos ecoava. Aeliana apertou a mão de Jocelino; as pontas de seus dedos estavam levemente frias.

— O que foi? Fique tranquila. Hoje ele já disse tudo o que tinha para dizer. Nós não voltaremos mais aqui. — Perguntou Jocelino em voz baixa, apertando a mão dela para lhe transmitir calor.

— Não. Eu apenas acho que, quando alguém chega a esse ponto, perguntar se a família está bem é, na verdade... tarde demais. — Aeliana balançou a cabeça, com o olhar fixo na luz que entrava pela saída à frente.

Toda ação tem sua consequência.

As lágrimas e o arrependimento de Gervásio hoje não poderiam lavar a sua ganância e os seus pecados do passado.

E o caminho deles ainda precisava seguir em frente, para dissipar aquele nevoeiro ainda mais denso e enfrentar as sombras que poderiam ser ainda mais poderosas.

As pesadas portas de ferro da prisão se fecharam atrás deles, isolando completamente aquela escuridão desesperadora.

Lá fora, embora a luz do sol estivesse amena, brilhava intensamente.

Jocelino levou Aeliana de volta para o apartamento primeiro.

As palavras de Gervásio foram como uma chave que abriu uma porta para uma escuridão ainda mais profunda, e ela precisava organizar seus pensamentos o mais rápido possível.

Enquanto isso, Jocelino retornou à sede do Grupo Barreto.

A atmosfera no escritório do presidente, no último andar, não estava diferente de quando ele havia saído.

Odilon trouxe alguns documentos que precisavam ser assinados com urgência e relatou em voz baixa alguns ajustes importantes na agenda.

Sentado atrás de sua imensa mesa, Jocelino mantinha uma expressão calma e processava rapidamente os assuntos de trabalho, como se o encontro na prisão durante a manhã não tivesse deixado muitas marcas em sua mente.

No entanto, pouco depois das três da tarde, essa tranquilidade foi repentinamente quebrada.

Houve batidas apressadas na porta do escritório e, antes mesmo que Jocelino pudesse responder, a chefe do Departamento de Segurança da Informação, Rosimeri Alves, entrou abruptamente com o rosto pálido, seguida por Odilon, que exibia a mesma expressão de pânico.

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