As duas pagaram o sinal, agendaram a data de retirada e deixaram o ateliê de excelente humor.
Logo que empurraram a porta de vidro, deram de cara com alguém que vinha na direção oposta.
A mulher vestia um traje de alta costura da temporada, segurava uma bolsa de grife de edição limitada e ostentava uma maquiagem impecável. Era Kelly Oliveira.
Um funcionário da loja a seguia, carregando um estojo de joias de veludo, indicando que ela havia ido retirar uma peça sob medida.
Kelly obviamente também vira Aeliana. Seu olhar passou por ela e por Aline, pousando finalmente na sacola de papel discreta nas mãos de Aeliana, que continha o recibo e o certificado do polimento inicial do anel. A sobrancelha de Kelly ergueu-se de maneira quase imperceptível, e um sorriso desdenhoso curvou seus lábios pintados de vermelho.
— Que falta de sorte. — Kelly disse, com um volume de voz perfeitamente calculado para ser ouvido por todos ao redor. — Qual é o problema do pessoal deste lugar? Como deixam qualquer vira-lata entrar aqui? Eu só vim buscar uma coisinha de nada e sou obrigada a cruzar com pessoas que não quero ver.
As sobrancelhas de Aline franziram-se imediatamente de raiva, mas Aeliana a segurou pelo braço, mantendo a expressão serena.
Kelly direcionou um olhar carregado de segundas intenções a Aeliana e deu um sorriso cínico:
— Peço desculpas, Sra. Oliveira, não me referia a você.
O olhar de Kelly deslizou pela sacola de Aeliana, e ela soltou uma risada fraca.
— A Sra. Oliveira também veio escolher joias? Considerando que você é a namorada de Jocelino, dou-lhe um conselho amigável: esta loja pode ser de nicho, mas os preços são exorbitantes. Ah, eu me esqueci, o status da Sra. Oliveira mudou agora. Você é a noiva do herdeiro do Grupo Barreto, as coisas estão bem diferentes. Dizem que quem dá o golpe do baú muda de patamar... Quem diria que uma garota pobre da roça estaria frequentando um ateliê luxuoso como este.
— Olha só, e eu me perguntando quem estava poluindo o ar por aqui. — Aline deu um passo à frente, puxando Aeliana para trás de si. Ergueu o queixo e abriu fogo contra a adversária. — Eu pensei que algum cachorro sem coleira estivesse urinando em público, mas acontece que era só você, Aeliana!
A expressão de Kelly escureceu instantaneamente:
— Aline, tenha mais respeito quando for falar comigo!
— Respeito? — Aline debochou, colocando as mãos na cintura. — Eu respeito as pessoas que merecem. Você? Quem você pensa que é? O romantismo entre o Jocelino e a Aeliana não te diz respeito. Eles podem se dar o que bem entenderem. Isso não é da conta de uma pessoa irrelevante como você! Quem lhe deu o direito de ficar aqui ditando regras e sendo venenosa?
A voz de Aline era aguda e veloz como uma metralhadora, atraindo os olhares de quem passava. O rosto de Kelly foi do vermelho ao branco, e os dedos que apertavam a bolsa de grife ficaram tensos.

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