Aeliana pegou o celular e ligou para Aline Martins.
— Alô? Aeliana! — A voz cheia de energia de Aline soou imediatamente. O som de fundo era ruidoso, como se ela estivesse em um shopping.
— Aline, ainda está na rua?
— Acabei de sair do cinema! O que foi, já está com saudades de mim?
— Mais ou menos. Queria ver se você tem tempo amanhã à tarde para me acompanhar a um lugar. — Aeliana hesitou por um segundo. — Quero ver anéis.
Houve um segundo de silêncio do outro lado da linha, seguido por um grito abafado de surpresa.
— Anéis? Você e o Jocelino vão escolher as alianças de casamento? Espera aí, não está certo. Vocês já estão noivos há muito tempo, o anel de noivado já não foi entregue?
— Não são alianças de casamento. — Aeliana a interrompeu, sentindo as orelhas esquentarem. — É que... eu quero presentear ele com um anel. Para uso diário.
Quando Jocelino a pediu em casamento, ele havia lhe dado um anel magnífico. Desde então, Aeliana buscava uma oportunidade para comprar um para ele também, mas andara ocupada demais.
Agora que finalmente tinha um tempo livre, ela decidiu que a escolha daquele anel seria sua prioridade.
Do outro lado da linha, Aline sentiu o impacto de toda aquela doçura romântica e deu um suspiro exagerado.
— Aeliana, você precisa ser tão exagerada assim?! Agora eu entendo por que dizem que amolecer um coração de gelo é a melhor parte. Você sempre foi tão alheia a essas coisas, mas, quando se apaixona, decide ser a pessoa mais romântica do mundo! Fazer isso com uma solteira como eu é pura crueldade! Mas... — O tom de Aline mudou para algo mais travesso. — Sendo eu a sua melhor amiga e a melhor irmã do mundo para o meu irmão, já que você pediu, eu enfrentaria qualquer coisa para te acompanhar. Mal posso esperar para ver a cara que o meu irmão vai fazer quando receber o seu anel. Ele é tão contido que com certeza não vai demonstrar muita emoção. Se quer saber, esse é o maior defeito dele. Zero romantismo.
Aline disparava palavras sem parar, provocando Aeliana e Jocelino com a familiaridade de sempre.
— Aline! — Aeliana sentiu o rosto queimar. — Se continuar falando bobagens, não vou mais levar você comigo.
— Não, não, não! Eu vou, eu vou! — Aline implorou rapidamente, embora não conseguisse conter o riso. — Amanhã à tarde, certo? Eu passo para te pegar! Conheço um ateliê maravilhoso, o mestre artesão de lá é impecável e ainda aceita encomendas urgentes!
Ao desligar, Aeliana segurou o celular com força, o coração batendo um pouco mais rápido.
No escritório, Jocelino fechou o notebook e massageou as têmporas.
Ao erguer o olhar para a sala, viu Aeliana recostada no sofá, observando o celular. A luz suave amarelada delineava delicadamente o perfil dela.
Seja lá o que ela estivesse vendo, a fez esboçar um sorriso leve.
Era um sorriso sutil, mas o suficiente para aquecer o coração de Jocelino. Ele se levantou, caminhou até ela e a abraçou gentilmente por trás.
— O que está vendo de tão interessante?
Aeliana desligou a tela rapidamente e virou-se, afundando o rosto no peito dele. A voz soou abafada:
— Nada de mais. Só estou com fome. Queria comer aquele arroz doce quentinho com canela que você faz.
Jocelino ergueu uma sobrancelha e notou as pontas das orelhas dela avermelhadas. Não insistiu no assunto, apenas afagou carinhosamente o cabelo dela.

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