Ao final da página, brilhava uma assinatura carimbada em vermelho, inconfundível e dotada de poder absoluto.
O Sr. Siqueira leu cada palavra atentamente, puxou o ar e o exalou devagar, sentindo como se toda a pressão e frustração acumuladas tivessem evaporado do seu peito.
Um brilho agudo cruzou o seu olhar e a sua postura endireitou-se involuntariamente.
Ele saiu da sala anexa, voltou a sentar-se na cabeceira da mesa e passou o documento para os chefes de equipe lerem.
Cada um que terminou de ler exibiu uma expressão de profundo alívio.
— Leram com atenção? — A voz do Sr. Siqueira retomou o tom grave e imponente, agora tingida por uma aura de letalidade inquestionável. — Temos ordem superior! Esta é a nossa carta branca! Escutem bem!
Ele correu o olhar por todos na sala e decretou:
— A partir de agora, blindem a delegacia contra qualquer ruído externo! Não me importa quem ligue, nem quem mande recado, todos devem ser tratados sob o mais estrito rigor do sistema! Este caso agora é intocável! A lei é a nossa base e as provas não mentem!
— Peguem todas as pistas e cavem até o fundo! Se encontrarem alguma barreira pelo caminho, reportem diretamente a mim! Se der problema, esse ofício é a nossa garantia!
— Sim, senhor!
Responderam todos em uníssono, com o ânimo renovado.
Como em um passe de mágica, os telefones daquelas figuras influentes pararam de tocar. As burocracias de bloqueio de contas foram aprovadas pelos bancos com uma agilidade assombrosa, e aqueles "indivíduos relacionados" que antes inventavam desculpas esfarrapadas passaram a colaborar voluntariamente.
A investigação contra Jordana e seu sindicato do crime ganhou um fôlego avassalador, avançando com velocidade e eficácia recordes.
O destino delas já estava selado pelo martelo da Justiça.
Em poucos dias, mandados de prisão preventiva foram emitidos em massa.
As integrantes do antes glorioso "clube das socialites" foram retiradas à força de suas mansões de luxo e de seus spas exclusivos. Foram obrigadas a trocar as roupas de grife pelo uniforme laranja do sistema prisional, sendo engolidas pelas altas muralhas.
Pavilhão feminino do Centro de Detenção Provisória.
Quando as pesadas grades de ferro bateram atrás delas com um estrondo de aço, separando-as do mundo exterior, aquela vida de luxúria desvaneceu para sempre.
O clima dentro da cela era tão opressivo que beirava o sufocamento.
Fosse por coincidência ou não, todas as madames do grupo acabaram confinadas juntas no mesmo lugar.
Nos primeiros dias, movidas pelo medo paralisante ou pela intenção de preservar o que restava do seu verniz social, as supostas "irmãs" mantiveram uma paz de fachada. Cada uma se espremeu em um canto, trocando olhares desconfiados e falando muito pouco.

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