— Se não fosse pela ganância dela e por deixar tantos rastros, como alguém teria conseguido nos pegar?
— Eu fui cega em tê-la trazido para perto de mim!
Jordana parecia ter encontrado a válvula de escape para o seu fracasso, despejando todo o seu veneno e pavor em xingamentos contra Adelina.
— Eu dei comida, dei roupas, coloquei ela na alta roda da sociedade, entreguei os contatos de bandeja! E é assim que ela me agradece? Sendo a primeira a virar delatora na hora do aperto! Ela acha que vai sair ilesa só por ter aberto o bico? Que continue sonhando! Se eu afundar, vou arrastar todas elas comigo!
O delegado assistiu ao seu show de histeria com frieza. Apenas quando a torrente de xingamentos diminuiu, ele falou num tom neutro:
— Pelo visto, você tem plena consciência de tudo o que fez. Quanto a se elas vão escapar ou não, isso é um assunto para a Justiça. Neste momento, quem deveria estar preocupada consigo mesma é você.
Os xingamentos de Jordana cessaram abruptamente, como se tivesse levado um soco no estômago.
Ela desabou na cadeira, tremendo dos pés à cabeça. Aquele acesso de fúria havia drenado todas as suas forças e estilhaçado a sua última gota de esperança.
Advogados?
Mesmo os criminalistas mais caros do país não poderiam fazer milagres diante de provas tão irrefutáveis.
Jordana sabia que estava acabada.
Completamente arruinada.
A polícia já tinha todas as provas em mãos; trazê-la para o interrogatório era apenas uma mera formalidade burocrática.
Naquele instante, a Jordana teve a clareza cortante de que o império que havia construído meticulosamente ruíra. As "amigas" que usava como peões e as rotas de fuga que julgava infalíveis... tudo virou pó.
— Bruna, sou eu.
— Ouvi dizer que a sua delegacia regional pegou um caso grande recentemente. Fez muito barulho. Bom trabalho! Mas veja bem, em operações assim, especialmente com tantos peixes grandes envolvidos, precisamos ter tato. Manter a estabilidade acima de tudo, não é verdade?
— É preciso pensar no impacto social. Saiba dosar as medidas, evite transformar isso num circo midiático. Não podemos deixar que uma maçã podre estrague a cesta inteira e prejudique a imagem das nossas instituições e o clima de negócios na nossa região. Você entende o que eu quero dizer, certo?
O Sr. Siqueira segurava o telefone com um sorriso amarelo no rosto, respondendo com extrema reverência:
— Fique tranquilo, chefe. Nós agiremos estritamente dentro da lei e lidaremos com tudo cautelosamente.
O Sr. Siqueira sabia perfeitamente que o velho raposão estava lhe dando um aviso. Pelo visto, deveria haver protegidas daquele antigo figurão no meio do clube das socialites. Caso contrário, por que um homem que sempre prezou por manter o próprio nome limpo faria questão de ligar?

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