— De qualquer forma... hoje não está muito movimentado aqui fora nos quartos.
— Vamos considerar isso... o nosso segredo.
Felipe olhou para o brilho nos olhos dela, uma mistura de timidez, firmeza e a ousadia de quem joga tudo numa última cartada. Ele sabia que aquela garota, aparentemente frágil, já havia tomado sua decisão e não cederia sem ver a "sinceridade" dele.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos. Uma emoção complexa passou por seu rosto, algo como resignação, ou talvez a concessão após um cálculo frio.
Por fim, ele suspirou levemente, estendeu a mão e, desta vez, segurou com firmeza o rosto quente de Denise. O polegar acariciava a pele dela, e o olhar era tão profundo que dava para se afogar nele.
— Se...
Sua voz baixou, carregada de um magnetismo sedutor.
— Se isso vai te deixar tranquila, se vai fazer você acreditar em toda a minha sinceridade... então, eu faço do jeito que você quer.
A concessão dele soou para Denise mais como uma impotência apaixonada e carinhosa. Sua última dúvida foi dissipada, substituída por uma excitação de sacrifício e vertigem.
Felipe se inclinou e desligou o abajur de luz fraca na mesa de cabeceira.
O luar passava pelas grades da janela, projetando manchas de luz difusas no chão frio.
O cheiro de antisséptico do quarto de hospital se misturava com a respiração ofegante e ambígua que preenchia o ar, deixando o ar pesado e abafado.
Denise fechou os olhos, sentindo aquele homem estranho e ao mesmo tempo familiar ao seu lado, o coração cheio de vislumbres ilusórios sobre o futuro e um tremor como se estivesse caindo em um abismo.
Já Felipe mantinha os olhos abertos na escuridão. Se Denise olhasse com atenção naquele momento, veria que não havia ali nenhuma paixão, apenas a frieza tranquila de um cálculo bem-sucedido.
O dia ainda não havia clareado totalmente, e o quarto estava na penumbra.
Denise acordou assustada de um sono breve. O pânico e a vergonha a envolveram mais densamente que a noite. Assim que se mexeu, uma mão quente cobriu suavemente seu braço.
Felipe estava deitado de lado, observando-a na meia-luz, com um olhar que simulava perfeitamente ternura e relutância.
Denise apressou-se em dizer, com as últimas dúvidas dissipadas pela "paixão" e "auto recriminação" dele.
Felipe se aproximou e depositou um beijo leve e breve na testa dela, um gesto cheio de aparente apreço.
— Volte rápido, aproveite que não tem ninguém. Lembre-se, aconteça o que acontecer, o que senti por você ontem à noite não teve nada de falso.
Depois de consumarem a relação, a última ponta de dúvida no coração de Denise havia desaparecido completamente.
A relação entre os dois, na visão dela agora, era de total união.
Depois disso, Denise ficou procurando uma oportunidade para libertar Felipe.
Naquele dia, o céu ainda não estava totalmente claro, uma luz cinzenta penetrava pelas grades da janela alta do quarto.
Denise praticamente não dormira, o coração batendo como um tambor no peito a noite inteira. Ela saiu de casa furtivamente duas horas antes do seu horário habitual, como uma ladra, o coração disparado, segurando com força a chave capaz de abrir a porta do quarto de Felipe.

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