— De nada.
Denise sentiu seu coração falhar uma batida novamente, não por nervosismo desta vez, mas por uma mistura de compaixão e uma dor no peito diferente.
— Tente descansar, estarei lá fora.
Ela quase fugiu do quarto, encostando-se na parede fria do corredor para acalmar a respiração. O último olhar de Felipe, cheio de confusão e dependência, repetia-se incessantemente em sua mente.
Dentro do quarto, Felipe enxugou a pouca umidade do rosto, e seu olhar recuperou a frieza. Ele caminhou até a porta e, encostando o ouvido na fresta, pôde ouvir a respiração levemente acelerada de Denise do lado de fora.
Ele sabia que o peixe estava começando a morder a isca.
O próximo passo não era continuar se fazendo de vítima, mas criar uma oportunidade "acidental" para que ela sentisse que poderia ser a pessoa a salvá-lo.
Isso exigia esperar pelo momento certo, como o próximo horário de atividades ao ar livre, ou... algum pequeno "incidente".
Felipe voltou para a cama e fechou os olhos, mas seu cérebro trabalhava em alta velocidade, planejando cada detalhe.
Fugir do hospital psiquiátrico não seria simples; qualquer erro em qualquer etapa significaria sua ruína total. Denise era a única brecha que ele via no momento, e ele precisava segurá-la com firmeza.
O verdadeiro ponto de virada aconteceu numa tarde de terça-feira excepcionalmente movimentada.
Os pacientes da psiquiatria eram difíceis e, para Denise, quando o trabalho apertava, era realmente caótico. Até mesmo uma pausa para beber água tornava-se um luxo.
Vanessa baixou a mão e seu olhar se perdeu na distância, com um tom de profundo lamento pelo tempo que passou.
— Ah, você não pegou a época boa, não viu como o Dr. Felipe era antes... Aquilo sim, tsc tsc, ele era reconhecido como o menino de ouro do nosso hospital, o queridinho do diretor.
Denise, que se preparava para levar os remédios para Felipe, passava pelo posto de enfermagem naquele momento. Ao ouvir aquele nome, seus passos travaram involuntariamente, ela diminuiu o ritmo e seus ouvidos se aguçaram.
Vanessa parecia ter aberto a caixa de memórias, mergulhando em lembranças distantes, e seu rosto até ganhou um brilho há muito esquecido.
— Naquela época, o Dr. Oliveira tinha acabado de ser promovido, mas a técnica dele, a postura... era mais firme do que a de alguns subchefes.
— Além disso, ele é muito bonito. Depois de uma cirurgia super complexa e especializada, o Dr. Oliveira fez fama no nosso hospital e passou a ser chamado de o médico estrela da instituição.

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