Caso contrário, com a sua habilidade e técnica, superá-la seria apenas uma questão de tempo.
O Felipe levantou-se bruscamente, fazendo as pernas da cadeira rasparem no chão com um som estridente. A racionalidade que mantinha no rosto desmoronou completamente, dando lugar a uma expressão distorcida que misturava arrogância, raiva e pânico.
— É o Jocelino e a Aeliana, não é?
Os olhos do Felipe estavam vermelhos, e a sua voz tremia de excitação:
— Eles têm medo de mim! Têm medo que eu revele a verdadeira face daquela Aeliana, que segue caminhos não ortodoxos! Têm medo que os meus resultados de pesquisa superem os deles! Por isso uniram-se para armar contra mim! O Jocelino pressionou o hospital e vocês obedeceram, não foi?
Ele parecia ter finalmente encontrado uma explicação "racional". Os pensamentos paranoicos cresciam como ervas daninhas, e ele falava a uma velocidade impressionante:
— Eles devem ter destruído as provas! Vocês estão a prender-me agora para serem cúmplices deles!
— Eu já disse que tudo o que fiz foi pela minha pesquisa! Quando a minha pesquisa for publicada, quando eu provar tudo e ganhar o Prémio Nobel, todos vocês vão arrepender-se da decisão de hoje!
Raimundo e o Sr. Rodrigues trocaram olhares, ambos revelando uma gravidade que dizia "como esperado".
Essas acusações do Felipe, baseadas inteiramente em suposições, e o seu óbvio delírio de perseguição, confirmavam precisamente a exatidão do diagnóstico.
O seu estado mental já não era adequado para exercer qualquer trabalho médico, podendo até constituir uma ameaça para os outros e para si mesmo.
Raimundo respirou fundo, com um tom sério e firme:
— Dr. Oliveira, você diz que não está doente, mas olhe para a sua reação agora.
— Lamentamos muito, mas com base na segurança médica e na sua própria saúde, o hospital decidiu formalmente: a partir de hoje, estão suspensas todas as suas funções clínicas, e recomendamos que seja internado imediatamente para tratamento. Aqui está o documento de afastamento e o encaminhamento para internação.
Ele empurrou um documento na direção do Felipe.
— Não! Eu recuso! — O Felipe recuou bruscamente como se tivesse sido queimado, com a voz tão aguda que falhou. — Eu não estou doente! Com que direito me suspendem? Com que direito querem que eu fique internado? Isto é perseguição! É uma conspiração do Jocelino e da Aeliana!
Ele perdeu completamente o controlo emocional, agitando os braços e gritando:
O Felipe debateu-se violentamente, mas acabou por não conseguir resistir aos dois seguranças bem treinados. Ele foi agarrado pelos braços, um de cada lado, e levado à força para fora da sala de reuniões.
— Larguem-me! Vocês estão me mantendo preso! Eu vou processar-vos! Jocelino, Aeliana! Eu não vou perdoar-vos!
Os gritos estridentes ecoaram pelo corredor, afastando-se gradualmente.
Depois de a porta da sala de reuniões se fechar, Raimundo suspirou pesadamente e disse ao psiquiatra:
— A situação do Felipe exige internamento imediato, não é?
O psiquiatra assentiu.
— O caso do Dr. Oliveira é particularmente perigoso e requer vigilância especializada. A condição dele talvez seja mais grave do que prevíamos.
— Esse tipo de delírio de perseguição, nascido do colapso da sua imagem de génio, será bastante complicado de tratar.

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