Já haviam se passado três dias desde que ele voltou do País E.
Leonardo Soares estava há dezenas de horas sem dormir.
Exausto, com os nervos à flor da pele, em um estado de ansiedade e agitação que não o deixava descansar.
Ele instruiu Diego Duarte a cuidar dos desdobramentos e dirigiu de volta para o Residencial Alto das Palmeiras.
Graças à intervenção do departamento de relações públicas nos últimos dias, a poeira sobre Fernanda Cruz na internet havia baixado rápido, embora as discussões ainda não tivessem morrido de vez.
Leonardo ficou em pé, na entrada de sua mansão no Residencial Alto das Palmeiras, por meia hora.
A cada lufada de vento gelado em seu rosto, seu coração congelava mais um pouco.
Para ele, rastrear alguém no País E era brincadeira de criança. Dar uma lição e trazer a pessoa de volta também não seria nenhum problema.
O detalhe era que o verdadeiro cérebro por trás de tudo havia dado apenas um leve sinal de vida.
E mesmo que estivesse dentro das expectativas de Leonardo, ele sabia que o caminho à frente não seria apenas nebuloso, mas também forrado de espinhos.
Mais do que enfrentar o peso da lei, ele teria que lidar com as amarras morais e as chantagens mascaradas de afeto familiar.
Leonardo, com as mãos trêmulas, acendeu um cigarro. Puxou um trago longo.
A exaustão voltou com tudo, fazendo sua cabeça latejar intensamente.
O portão da mansão se abriu e a empregada saiu para jogar o lixo. Ao vê-lo, paralisou de surpresa:
— Jovem Mestre?
Leonardo assentiu levemente, seus olhos caindo sobre um carro desconhecido estacionado no pátio:
— Temos visitas?
— É a melhor amiga da Senhorita, a Senhorita Betina Silva e o Sr. Freitas. Hoje foi o último show da Senhorita e correu tudo bem, então eles vieram comemorar...
— Jovem Mestre, por que o senhor está com essa aparência tão abatida? Não conseguiu descansar? Está machucado?
O estado de Leonardo no momento era simplesmente deplorável.
A barba por fazer já despontava no queixo. Os olhos estavam injetados de sangue. Olheiras fundas e escuras cobriam seu rosto.
Sua expressão era de total desolação e apatia.
O pior de tudo eram as áreas em suas bochechas e pescoço: a pele estava enrugada e escurecida, como se fosse um tecido cicatrizado de queimadura se regenerando.
Havia também um hematoma arroxeado na testa.
Leonardo murmurou que não era nada. Apagou o cigarro, pegou o celular e mandou uma mensagem para Diego Duarte.
Ele achava que aquela era a oportunidade perfeita. Assim, já poderia colocar tudo em pratos limpos com todo mundo ao mesmo tempo.
Enquanto caminhava para dentro, já podia ouvir as risadas e a conversa animada.

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