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Depois de Me Abandonar, Meu Ex Voltou Arrependido romance Capítulo 7

Durante as férias do primeiro ano da faculdade, Fernanda Cruz mal tinha chegado na porta de casa e já ouvia a briga violenta de seus pais.

O motivo da discussão era o mesmo há mais de dez anos: os avós machistas que só valorizavam homens, o tio encostado e a tia egoísta e venenosa.

E, claro, o primo de Fernanda Cruz. O tal do "único herdeiro homem" da família Cruz, o grande orgulho da casa.

O fato de que as notas dele somadas não chegavam nem perto da pontuação de Fernanda Cruz em ciências não importava. Ele ainda era a grande esperança de honrar o nome da família.

E, o ponto crucial de sempre: por que Fernanda Cruz não tinha nascido menino.

O motivo da briga daquela noite era o mesmo disco riscado.

O primo dela precisava pagar um cursinho e contratar professores particulares, então ligou para pedir dinheiro emprestado. Fernanda Cruz ouviu o tom de voz cheio de razão de seu pai dando ordens.

Ele era o único herdeiro da família Cruz, afinal. Ajudar financeiramente era mais do que uma obrigação.

Logo em seguida, veio o deboche da sua mãe, gritando que todos os membros da família Cruz eram um bando de idiotas. Ela disse que não daria um centavo. O dinheiro seria para pagar a faculdade de Fernanda Cruz, sua pós-graduação, seu doutorado e para mandá-la conhecer o mundo.

— Uma garota não precisa de tanto estudo, não serve pra nada. No futuro, quem vai sustentar o nome da família Cruz é o Ronaldo.

Foi isso que Fernanda Cruz ouviu seu pai dizer.

Em seguida, a briga explodiu.

O barulho de coisas quebrando ecoou pela casa. Ela já ouvia isso há mais de uma década. Exausta até os ossos, Fernanda Cruz deu meia-volta, desceu as escadas e saiu caminhando sem rumo pelas ruas da cidade.

Estava tão distraída que não prestou atenção ao atravessar a rua. Um Koenigsegg preto a raspou, jogando-a no asfalto.

Era o carro de Leonardo Soares. Recém-comprado, a caminho da pista de corrida da família Soares para um test drive.

A queda não foi grave, ela apenas ralou as palmas das mãos. Quando Leonardo Soares estendeu a mão para ajudá-la, Fernanda Cruz o reconheceu, desviou o olhar e se levantou sozinha.

Leonardo Soares deu uma risadinha seca e perguntou se ela estava tentando aplicar o golpe do atropelamento falso para extorquir dinheiro.

E a chamou de "colega mais nova".

Fernanda Cruz era de poucas palavras. Abaixou a cabeça, pediu desculpas e já estava virando as costas para ir embora quando a voz de Leonardo Soares soou atrás dela, carregada de interesse e malícia.

— Colega mais nova, tem coragem de dar uma volta comigo?

Ele perguntou se ela "tinha coragem", não se ela "queria".

Como se estivesse enfeitiçada, Fernanda Cruz parou, virou-se e entrou no carro.

Leonardo Soares ergueu uma sobrancelha.

— Por que não? Os outros caras podem tentar, mas eu não?

Fernanda Cruz era especialista em dar foras. Mas, por algum motivo, encarando Leonardo Soares, as palavras simplesmente não saíam. Depois de muito tempo, ela murmurou:

— Minha família não deixa eu namorar.

Leonardo Soares caiu na gargalhada no mesmo instante. O riso veio do fundo do peito, abafado e grave, fazendo seu corpo inteiro tremer.

O rosto de Fernanda Cruz esquentou de vergonha, mas aquela era a verdade.

Ela precisava passar no mestrado, no doutorado, estudar fora e até arrumar um emprego no exterior. Enfim, ela carregava todas as esperanças de sua mãe. Precisavam provar, juntas, que ela era melhor do que qualquer menino.

Era perfeitamente normal que Leonardo Soares não entendesse. Afinal, ele era homem.

Fernanda Cruz queria ir embora, mas estavam longe demais do centro da cidade. Não tinha como voltar sozinha. Ela ergueu o queixo e falou com Leonardo Soares num tom frio e distante:

— Veterano, me leva de volta.

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