Sérgio Dourado ficou surpreso.
Quando entrou, até havia notado a sacola, mas na hora estava focado em falar com Leonardo Soares sobre a situação de Fernanda.
Acreditou que fossem coisas dela mesma e não deu muita importância.
Jamais imaginou que fosse um presente para ele.
Uma alegria indescritível tomou conta de Sérgio, fazendo seus olhos brilharem.
Secou bem as mãos, caminhou até o móvel da entrada e parou. Pegou a sacola e a examinou, sentindo o coração amolecer.
Tirou a caixa de dentro e a abriu com todo o cuidado. Lá dentro repousava um relógio de pulso preto.
Um modelo clássico e elegante. Discreto, mas de muito bom gosto.
Sérgio gostou tanto que ficou ali, paralisado, olhando para o relógio por um bom tempo.
— Você não devia ter gastado com isso. — Sérgio ficou sem graça de colocá-lo imediatamente no pulso.
Caminhou de volta para a sala com a caixa nas mãos e viu Fernanda sentada na beira da cama.
Ela estava encostada na mesa de cabeceira, segurando alguns lenços de papel amassados, com o olhar distante. Ele não suspeitou de nada.
— O que te fez lembrar de me dar um presente do nada?
Fernanda saiu do transe e forçou um sorriso:
— Você me deu aquele cachecol da última vez, e tem me ajudado tanto ultimamente. Eu quis comprar um presente para agradecer.
— Experimenta para ver se serve. Se não gostar do modelo, acho que dá para trocar.
Sérgio brincou com ela:
— Então é um presente de agradecimento. Sabe que nós, policiais, não podemos aceitar presentes tão caros dos cidadãos, né?
Os olhos de Fernanda se curvaram em um sorriso.
— Fica tranquilo, eu não vou te denunciar.
Sérgio sustentou o olhar dela, intenso. Fernanda abaixou a cabeça, com as orelhas levemente avermelhadas.
Ele sorriu, tirou o relógio que usava há anos e colocou o que Fernanda havia lhe dado. Estendeu o braço para ela ver.
— Ficou bonito?
Fernanda olhou para o pulso dele e assentiu.
— Ficou ótimo. Combina muito com você. Ficou melhor do que no modelo da propaganda.
E ela não estava exagerando. Sérgio tinha uma postura íntegra e era bonito; usando aquele modelo, não ficava devendo nada aos galãs dos pôsteres.
Só o sorriso dele que a deixava um pouco desconfortável.
Fernanda até tinha pensado em marcar um lugar para entregar o presente, nunca imaginou que seria na sua própria casa.
Sendo um ambiente mais íntimo, a situação ganhava um ar de constrangimento e flerte.
Sérgio ficou em silêncio, o que só a deixou mais nervosa.
Observando o rosto pálido de Fernanda, que claramente se esforçava para parecer bem, Sérgio de repente se agachou na frente dela.
Os olhos de Fernanda se arregalaram e ela desviou o olhar, apreensiva.
Sérgio sorriu.

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